Leitura em HTML

Esta apresentação em HTML reproduz o conteúdo integral da versão publicada em PDF e preserva sua paginação e seus elementos visuais. Para citação acadêmica, utilize os dados bibliográficos exibidos na página do artigo.

background image

A CIÊNCIA NA ARTE DO POLE DANCE

THE SCIENCE IN THE ART OF POLE DANCE

RESUMO: 

Esta pesquisa nasceu das experiências da autora como artista-dançarina, educadora 

e pesquisadora do movimento. Foi desenvolvida a partir de diálogos entre teoria e prática. Neste 
trabalho, relaciona-se o parâmetro do corpo Dinâmica, desenvolvido por Helenita Sá Earp, o 
estudo da autora sobre Pole Dance e a Física, descrevendo e fazendo a análise de forças, 
trajetórias, acelerações, intensidades e princípios, como: Leis de Newton, torque, atrito, dentre 
outros, nos movimentos de Pole Dance, como meio de facilitar o entendimento do movimento, 
gerar  consciência  corporal e,  assim,  ampliar  a expressão  artística  de cada ser  através do 
movimento. Este trabalho reafirma o Pole Dance como campo legítimo de produção artística, 
pedagógica e científica, propondo aproximações entre arte, movimento e ciência a partir da 
experiência prática e da pesquisa acadêmica.

PALAVRAS CHAVES: Pole Dance; Física; Ensino; Arte.

ABSTRACT: 

This research emerged from the author’s experiences as a dancer-artist, educator, 

and movement researcher. It was developed through dialogues between theory and practice. The 
study relates the body parameter Dynamics, developed by Helenita Sá Earp, to the author’s 
investigations   in   Pole   Dance   and   Physics,   describing   and   analyzing   forces,   trajectories, 
accelerations, intensities, and principles such as Newton’s Laws, torque, friction, among others, 
within Pole Dance movements. The study proposes these concepts as a means of facilitating the 
understanding   of   movement,   generating   body   awareness,   and   thus   expanding   the   artistic 
expression   of   each   individual   through   movement.   This   work   reaffirms   Pole   Dance   as   a 
legitimate   field   of   artistic,   pedagogical,   and   scientific   production,   proposing   connections 
between art, movement, and science grounded in practical experience and academic research.

KEYWORDS: Pole Dance; Physics; Teaching; Art.

Este relato de experiência apresenta um recorte da pesquisa desenvolvida no Trabalho de 

Conclusão de Curso “A Ciência na Arte do Pole Dance: Diálogos e Reflexões”, realizado na 

Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que investigou a relação entre os princípios do 

Parâmetro do Corpo Dinâmica, desenvolvido por Helenita Sá Earp, conceitos oriundos da 

Física e a prática do Pole Dance. A pesquisa partiu da experiência prática da autora como artista, 

performer e instrutora de Pole Dance há mais de 10 anos, em que utiliza há anos conceitos da 

Física como ferramenta para compreensão, execução e ensino dos movimentos acrobáticos. A 

investigação buscou compreender como princípios físicos, como aplicação de força, vetores, 

alavancas, impulso, torque, atrito e distribuição de peso, podem contribuir para a ampliação da 

RBPC - Revista Brasileira de Produção Científica | v. 1, n. 1, 2026

rbpc.tech | Edição inaugural

p. 112

Trabalho submetido em janeiro de 2026. Aprovado em junho de 2026

Trabalho submetido em janeiro de 2026. Aprovado em junho de 2026

1 Bacharel em Dança - Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Maria Luísa Bonadia Cunha¹

background image

consciência corporal, para a execução mais eficiente dos movimentos e para a potencialização 

da expressividade artística no pole dance.

Como estudo de ampliação técnica e expressiva na performance, o parâmetro do corpo 

Dinâmica relaciona-se diretamente com as leis da Física, especificamente com o estudo das 

forças   e   energias   que   produzem,   mantêm   ou   modificam   o   movimento   do   corpo.   Está 

diretamente   relacionado   às   forças,   torques   e   transferências   de   energia   que   compõem   o 

movimento. Em uma perspectiva artística, também se refere à qualidade expressiva, à intenção 

e à modulação das sensações de força e entrega do corpo. Nesse sentido, o estudo do parâmetro 

Dinâmica dialoga com a Física, pois essa é a ciência que estuda as causas do movimento, as 

energias, as forças que o produzem, alteram ou mantêm.

Através do trabalho com o pole, podemos explorar as características dinâmicas de 

diferentes formas: coreograficamente, ao acentuar contrastes entre movimentos leves e pesados, 

suaves e fortes, contínuos e descontínuos, potencial e liberado. E, no contexto pedagógico, a 

consciência dinâmica torna-se uma ferramenta essencial. Através dela, o intérprete-criador pode 

identificar onde a força muscular deve ser aplicada, como ela se transfere através do sistema 

musculoesquelético e como se equilibra com as forças externas (como a gravidade e a reação da 

barra). Esse reconhecimento favorece tanto o aprendizado técnico quanto o desenvolvimento 

expressivo,   pois   possibilita   compreender   as   relações   entre   peso,   impulso,   alavancas, 

sustentação e equilíbrio de torques.

A dinâmica física não se limita à magnitude da força, mas a sua percepção e aplicação

consciente   envolvem   sensibilidade   e   intenção.   É   nesse   trânsito   entre   princípios   físicos   e 

interpretação poética que o Pole Dance revela sua potência enquanto linguagem artística e 

expressiva   através   do   parâmetro   Dinâmica.  A  consciência   da   Dinâmica   é,   portanto,   uma 

ferramenta importante tanto na criação coreográfica quanto no processo de ensino.

Este estudo revela que muitos dos movimentos do Pole Dance podem e devem ser 

compreendidos também à luz da Física. Quando esses conhecimentos se unem à escuta do 

corpo,   abrem-se   novos   caminhos   para   executar   os   movimentos   e   performar   com   mais 

consciência, intenção, eficiência e autonomia.  Propõe-se refletir, nesta escrita,  sobre como 

expandir a compreensão do parâmetro Dinâmica no Pole Dance, tanto para performers, quanto 

para professores. Para quem assiste, muitas vezes, não é perceptível a entrada, a passagem e a 

aplicação da força; mas, para quem realiza os movimentos, é essencial esse entendimento para 

aprimorar a mecânica do movimento e sua expressividade.

Apresenta-se, a seguir, alguns conceitos do parâmetro Dinâmica, como podem ser vistos 

e explorados no Pole Dance e suas relações com as Leis da Física. Sobre os Estados do 

RBPC - Revista Brasileira de Produção Científica | v. 1, n. 1, 2026

rbpc.tech | Edição inaugural

p. 113

A CIÊNCIA NA ARTE DO POLE DANCE

Revista Brasileira de Produção Científica, v. 1, n. 1, jan-jun. 2026

112

background image

movimento, segundo os Fundamentos da Dança, podem ser dois: potencial, estado em que há 

energia e força presentes e circulantes no corpo sem que haja uma trajetória visível ou exterior 

do movimento; e liberado, em que realizamos ações físicas visíveis no espaço, através do corpo 

como um todo e dos segmentos articulares. Esse conteúdo da dança relaciona-se com os 

conceitos físicos de energia potencial gravitacional, a energia armazenada em um corpo devido 

a   sua   altura   em   relação   a   um   referencial;   e   de   energia   cinética,   a   energia   associada   ao 

movimento visível de um corpo.

No contexto do Pole Dance, podemos descrever como estado de ativação/sustentação 

(comumente chamado de “potencial”): estado em que há uma significativa ativação muscular 

isométrica ou concêntrica controlada para manter uma posição estática ou um ponto de apoio 

contra a gravidade. O corpo ou um segmento corporal está preparado ou sustentando, muitas 

vezes convertendo energia química (ATP) em tensão muscular, mas com pouco ou nenhum 

deslocamento visível; e estado de movimento (“liberado” ou Cinético): estado em que se realiza 

ações   físicas   com   trajetória   visível   no   espaço,   envolvendo   acelerações,   deslocamentos   e 

conversões claras de energia (como potencial gravitacional em cinética e vice-versa).

Sobre energia potencial, André Lepecki, teórico da dança brasileiro, escreve:

No ponto zero de energia, quando tudo deveria estar em perfeito descanso, partículas 
ainda permanecem em uma vibração infinitesimal. Assim sendo, a vibração é o último 
limiar da persistência da realidade. O zero anuncia não o começo, nem o final, mas a 
moção   vibratória   microscópica   constante   em   direção   à   modificação   sem   fim. 
(Lepecki, 2000, p. 379)

Essa “vibração infinitesimal” descrita por Lepecki, que habita o limiar entre o repouso

e o movimento, pode ser experienciada de forma visceral no corpo do  

performer

  durante 

esforços intensos de sustentação no Pole Dance. Quando mantemos uma posição exigente, 

como   uma  

Ayesha

  ou   uma   trava   isométrica   prolongada,   a   fadiga   muscular   começa   a   se 

manifestar através de pequenas vibrações ou tremores em grupos musculares específicos. Do 

ponto   de   vista   físico   e   fisiológico,   esses   tremores   não   são   aleatórios.   Eles   resultam   do 

recrutamento assíncrono e alternado das unidades motoras (conjuntos de fibras musculares) 

dentro   do   músculo.   À   medida   que   algumas   unidades   se   fatigam   e   “desligam” 

momentaneamente para se recuperar, outras são rapidamente recrutadas para manter a tensão 

necessária contra a força da gravidade. 

Este ciclo contínuo de ativação e desativação para sustentar a contração gera as micro 

vibrações que podem ser observáveis. Portanto, essas vibrações são a materialização da luta 

dinâmica contra o repouso – são o sinal visível e sensível de que o corpo está no limite de seu 

“estado de ativação”, no limiar entre manter a forma estática (potencial) e ceder ao movimento 

RBPC - Revista Brasileira de Produção Científica | v. 1, n. 1, 2026

rbpc.tech | Edição inaugural

p. 114

A CIÊNCIA NA ARTE DO POLE DANCE

Revista Brasileira de Produção Científica, v. 1, n. 1, jan-jun. 2026

113

background image

(liberado). Elas tornam palpável a metáfora de Lepecki: na performance de pole dance, o “zero” 

não é a ausência de esforço, mas o ponto máximo de tensão sustentada.

Quanto ao conceito de força, pode-se continuar fazendo relações entre dança e ciência. 

Força é uma interação capaz de alterar o estado de movimento ou a forma de um corpo. É um 

conceito fundamental para descrever e prever o comportamento dos objetos. De acordo com a 

Segunda Lei de Newton, a aceleração de um corpo é diretamente proporcional à força resultante 

que, atuando sobre ele, é inversamente proporcional à sua massa. No pole dance, para que o 

corpo entre em movimento ou mude seu estado de movimento, é necessária uma força externa, 

gerada da seguinte forma: 1) os músculos se contraem (processo bioquímico), gerando forças 

internas; 2) essas forças internas são transmitidas pelo sistema esquelético e aplicadas no 

ambiente (empurrando ou tracionando a barra); 3) a barra, por sua vez, exerce uma força de 

reação (terceira lei de Newton) sobre o corpo; 4) É esta força de reação externa que, ao somar-se 

com a força da gravidade e outras, constitui a força resultante que causa a aceleração e o 

movimento.

O   corpo   aplica   tais   forças   principalmente   na   contração   muscular,   que   pode   ser: 

isométrica, em que o músculo gera tensão sem alterar significativamente seu comprimento, nem 

produzir movimento articular visível. É crucial para travas (

holds

) e sustentações estáticas, em 

que o torque muscular equilibra exatamente o torque gerado pelo peso do corpo em relação ao 

ponto   de   apoio;   e   isotônicas   (concêntrica/excêntrica):   envolve   alteração   no   comprimento 

muscular e produz movimento articular. A concêntrica gera força para vencer uma resistência 

(subir)   e   a   excêntrica   para   controlar   um   movimento   contra   uma   resistência   (descer   com 

controle).

No pole dance, movimentos como o  

Knee Hook  

(fotografia 1), o  

Remi Lay Back 

(fotografia 5) ou a pegada 

Teddy

 ou 

Teddy grip

 (fotografia 6) ilustram a divisão de funções 

dinâmicas, que estão presentes desde os movimentos mais básicos aos mais avançados: alguns 

segmentos corporais atuam em estado de ativação/sustentação (gerando atrito, travas ou suporte 

estático), enquanto outros operam em estado de movimento para criar a forma ou transição.

Fotografia 1:

 movimento 

Knee hook

RBPC - Revista Brasileira de Produção Científica | v. 1, n. 1, 2026

rbpc.tech | Edição inaugural

p. 115

A CIÊNCIA NA ARTE DO POLE DANCE

Revista Brasileira de Produção Científica, v. 1, n. 1, jan-jun. 2026

114

background image

A autora (2025).

No 

Caterpillar Climb 

(fotografia 2), observamos uma complexa alternância cíclica entre 

esses   estados:   braços   e   pernas   alternam-se   entre   gerar   força   de   tração/suporte   isométrica 

(contraindo-se para puxar ou fixar) e realizar movimentos de reposicionamento, em uma 

coreografia de alavancas e transferências de peso que resulta na subida.

Fotografia 2:

 

Caterpillar climb

A autora (2025).

Além   desses   movimentos   e   exemplos   no   pole   dance,   muitas   vezes   transitar 

conscientemente entre estados de ativação sustentada e estados de movimento é fundamental 

para  a   fluidez.   Uma   queda   controlada,   por   exemplo,   envolve   converter   energia   potencial 

RBPC - Revista Brasileira de Produção Científica | v. 1, n. 1, 2026

rbpc.tech | Edição inaugural

p. 116

A CIÊNCIA NA ARTE DO POLE DANCE

Revista Brasileira de Produção Científica, v. 1, n. 1, jan-jun. 2026

115

background image

gravitacional em energia cinética, e, imediatamente, usar contrações musculares excêntricas 

para dissipar essa energia de forma segura e expressiva. Essa intencionalidade na modulação de 

forças e energias trabalha a poética do movimento.

A transição do 

Knee Hook on Air

 (fotografia 3) para uma queda, que é a transição para o 

Lock 4 Inverted 

(fotografia 4), transformando energia potencial gravitacional em cinética para 

Física, ou, nos parâmetros do corpo, movimento potencial em movimento liberado, trabalhando 

a poética e a intencionalidade que busquei expressar com os movimentos. Movimentos de 

grande exigência de sustentação, como a 

Ayesha

 – que é comum, no Brasil, nomearmos como 

Aysha

Iron X

 e diversos giros na barra em modo giratório, dependem profundamente da força 

isométrica para manter o corpo em equilíbrio estático contra a gravidade, criando a ilusão de 

leveza a partir de uma imensa tensão interna gerenciada – tensão essa que, em seu limite, pode 

se revelar através de micro vibrações da fadiga.

Fotografia 3:

 

Knee Hook on air

A autora (2021).

Assim, a sustentação – ação de manter o corpo suspenso contra a gravidade – é, em sua 

essência física, o resultado do gerenciamento preciso de torques e forças musculares que se 

opõem ao torque e à força peso. Integrar esse entendimento físico à prática não reduz a arte à 

mecânica; pelo contrário, oferece um mapa mais claro para explorar com mais liberdade, 

segurança e expressividade a linguagem do pole dance, inclusive em seus limites mais sutis e

vibráteis, onde a física, a fisiologia e a poética do corpo se encontram. Para os movimentos dos 

exemplos e muitos outros realizados no Pole, como em inversões (como nas fotografias 4 e 6), 

também é necessária a sustentação, que é a ação de manter o próprio corpo suspenso contra a 

força da gravidade.

Fotografia 4:

 

Lock 4 Inverted

RBPC - Revista Brasileira de Produção Científica | v. 1, n. 1, 2026

rbpc.tech | Edição inaugural

p. 117

A CIÊNCIA NA ARTE DO POLE DANCE

Revista Brasileira de Produção Científica, v. 1, n. 1, jan-jun. 2026

116

background image

A autora (2025).

Continuando com os conteúdos do parâmetro Dinâmica, abordando as entradas de força, 

que são utilizadas normalmente no início de um movimento, ressaltando a raiz do segmento. 

Podem ser utilizadas com ou sem acentuação. Portanto, entradas de força se referem a 

como

 se 

inicia um movimento no corpo, especificamente, ao uso de força para iniciar o movimento: 

ativar, impulsionar etc. A força não é apenas momentânea ou isolada, ela inicia algo que segue. 

A entrada de força gera o impulso ou ativação que leva para a continuidade e promove a 

alteração na condução do movimento. Já o acento é um movimento explosivo, forte e rápido, 

contido por uma forte contração muscular. O impulso é um tipo especial de força muscular, 

caracterizada   por   alta   intensidade,   gerado   por   ligeira   descarga   energética.   Pode   ser 

caracterizado em uma explosão, como em saltos, ou de forma mais sutil, como o impulso para 

piruetas no  

ballet

  e em giros e piruetas no pole dance. Na Física, impulso é a variação da 

quantidade de movimento causada por uma força aplicada durante um intervalo de tempo. Um 

movimento com impulso é aquele em que você aplica uma força rápida e direcionada, iniciando 

ou mudando o movimento fisicamente.

No pole, utilizamos o modo impulsionado para inverter, mas as inversões também 

podem ser feitas no modo conduzido. E todo giro se inicia de um impulso, podendo ser 

visualmente explosivo ou sutil, dependendo do grau de força empregado no movimento. A força 

explosiva é aplicada em movimentos que exigem velocidade e potência, como em saltos, giros 

rápidos e, por exemplo, no movimento de sair do chão rapidamente para entrar num giro aéreo.

Fotografia 5:

 

Remi Lay Back

RBPC - Revista Brasileira de Produção Científica | v. 1, n. 1, 2026

rbpc.tech | Edição inaugural

p. 118

A CIÊNCIA NA ARTE DO POLE DANCE

Revista Brasileira de Produção Científica, v. 1, n. 1, jan-jun. 2026

117

background image

A autora (2025).

Esses últimos movimentos podem ser contínuos ou descontínuos, dando entrada ao 

conceito de passagem de força, que são os modos como a energia do movimento circula pelo 

corpo e pelo espaço.  Dito de outro modo,  é a relação do fluxo do movimento no corpo, 

caracterizada pela forma como a energia se transmite de um segmento corporal a outro ou de um 

movimento   a   outro,   podendo   variar   entre   passagem   contínua   e   descontínua   de   energia, 

conforme o grau de liberação ou retenção da energia empregada. 

Uma das formas que a Física pode explicar a passagem contínua de energia é: há uma 

transmissão eficiente da energia cinética; cada parte do corpo “recebe” e “envia” movimento de 

forma integrada. E a descontínua como retenção de energia potencial: o corpo retém a força 

antes de liberá-la novamente. Na liberação, o corpo permite que o movimento siga o curso 

natural da força. Na retenção, o corpo contém a energia, criando pausa, resistência ou impacto. 

Esse jogo entre liberar e reter é uma das técnicas que ajuda a dar potência ao movimento. 

No pole dance, ao subir e fluir de uma figura para a seguinte, com transições, sem pausar, 

a passagem de força é contínua. Se se interrompe, segura a posição, cria uma pausa antes de 

continuar, a passagem torna-se descontínua. Ambas são expressivas e a escolha depende da 

intenção artística e do controle técnico.

Essa ideia se relaciona com outro princípio da Dinâmica: a ligação do movimento que, 

nos Fundamentos da dança,  é a ativação e manutenção consciente da energia, quer seja no 

movimento liberado ou em estado potencial.

Fotografia 6:

 

Straddle Inversion

 com pegada 

Teddy

RBPC - Revista Brasileira de Produção Científica | v. 1, n. 1, 2026

rbpc.tech | Edição inaugural

p. 119

A CIÊNCIA NA ARTE DO POLE DANCE

Revista Brasileira de Produção Científica, v. 1, n. 1, jan-jun. 2026

118

background image

A autora (2025).

Até aqui, abordou-se os princípios da Dinâmica, que modificam a performance, a dança 

e também são recursos e estratégias cênicas. Mas, além disso, são conceitos primordiais

de serem entendidos por quem pratica, para uma base consistente e melhor execução do 

movimento.  Agora,  busca-se   abranger  alguns   princípios,   que   são   importantes   de   serem 

entendidos   por   quem   pratica   e   são   extremamente   perceptíveis   pelo   espectador.   E   são 

importantes de serem trabalhados, principalmente para nossa comunicação cênica.

O primeiro princípio é a intensidade, também referente ao parâmetro Dinâmica. É bem 

perceptível, tanto para quem está dançando, quanto para quem está assistindo. A intensidade é o 

grau de energia ou de força empregado na execução de um movimento, variando do suave ao 

fortíssimo, não referindo-se apenas à força muscular, mas também à qualidade expressiva do 

movimento, o modo como essa força é percebida e comunicada. Tem relação com o tônus 

muscular ativado, para a realização do movimento. Essa “força” não tem relação com a força 

necessária para levantar determinado peso, mas sim com a intensidade da tensão muscular. A 

variação da intensidade estudada, pesquisada, consciente, intencional e ampliada traz potência e 

poética para performance em diversas modalidades de Dança, inclusive o pole dance. 

Pensando em movimentos no Pole Dance, relaciona-se a intensidade com dois conceitos 

da Física: força de reação, que, segundo a Terceira Lei de Newton, ao empurrar ou puxar a barra, 

a barra reage com uma força igual e contrária. Essa força de reação é o que permite a sustentação 

e o equilíbrio do corpo na barra; e força interna: que se refere às forças internas do corpo, como 

a   tensão   nos   tendões,   compressão   nas   articulações   e   força   dos   músculos   profundos.  A 

intensidade, aqui, é o grau de força e tensão muscular aplicada intencionalmente e não por

RBPC - Revista Brasileira de Produção Científica | v. 1, n. 1, 2026

rbpc.tech | Edição inaugural

p. 120

A CIÊNCIA NA ARTE DO POLE DANCE

Revista Brasileira de Produção Científica, v. 1, n. 1, jan-jun. 2026

119

background image

necessidade, quando relacionamos com a Terceira Lei de Newton, que é sobre ação é reação.

Refletir   como   essa   intensidade   consciente,   aplicada   no   pole,   gera   uma   reação,  e 

estabelece um “diálogo dançante” com o Pole. Essa é uma das maneiras de entrarmos nesse 

diálogo que foi discutido no capítulo 2, “Pole Dance como objeto”,  do referido TCC que 

originou este texto. E, refletindo sobre força interna, quanto mais força, mais tensão é gerada 

nos músculos, maior é a intensidade e isso pode e deve ser trabalhado no pole dance, pensando 

na intenção do que se quer passar com determinado gesto ou performance. No pole, e em toda 

dança,  isso  modifica   completamente   o   “tom”   da   performance.   Não  serão   citados  aqui 

movimentos específicos do pole dance para relacionar com a intensidade, pois, como posto, ela 

é   intencional,   consciente   e   não   uma   necessidade.   Então,   pode-se   aplicá-la   do   suave   ao 

fortíssimo, em todos os movimentos, dependendo da intenção. Um simples toque no Pole, a 

maneira que se segura a barra para fazer ou entrar numa pose, pode ser suave ou fortíssima e isso 

é importante de ser percebido e trabalhado, pois ajuda no que o performer quer comunicar com 

o gesto.

Continuando,   enfoca-se,   agora   em   uma   confusão   entre  os   conceitos   de   peso   e 

intensidade do parâmetro Dinâmica. O peso é um dos princípios que compõem a Dinâmica do 

movimento, junto com a intensidade. Esse princípio descreve o peso como a maneira que o 

corpo se entrega, resiste ou dialoga com a força da gravidade. Não apenas o “quanto” pesa, mas 

como o peso é sentido e expressado no movimento.

Na Física, o peso é definido como a força gravitacional que atua sobre um corpo, uma 

relação quantitativa entre massa corporal e força gravitacional. É uma força constante, mas o 

que muda, na Dança, é como o corpo lida com essa força: ao resistir à gravidade, o corpo gera 

uma força contrária (reação, a terceira lei de Newton). Ao entregar-se, ele permite que a 

gravidade atue livremente sobre ele. A atitude do dançarino em relação a força da gravidade e a 

decisão de dominar ou abandonar seu corpo, transmite a ideia de leve ou pesado. Isso significa 

que a nossa relação com o peso também pode ser intencional. Mas também significa que o 

quanto podemos trabalhar com isso intencionalmente, depende da valência física força. Só se 

conseguirá   realizar   determinados   movimentos   se   o   corpo,   os   músculos,   tiverem   a   força 

necessária  para realizá-lo  e  o  performer  tiver  a  consciência corporal  e os  conhecimentos 

necessários para aplicação dessa força.

Por isso, pode haver um pouco de confusão entre os princípios de peso e de intensidade 

do parâmetro Dinâmica, pois, em ambos, falamos de força, porém de forças diferentes. O 

fortíssimo é um grau de tensão muscular aplicada intencionalmente e a força necessária para 

realizar um movimento é o resultado da massa do corpo, às vezes, a aceleração da gravidade que 

RBPC - Revista Brasileira de Produção Científica | v. 1, n. 1, 2026

rbpc.tech | Edição inaugural

p. 121

A CIÊNCIA NA ARTE DO POLE DANCE

Revista Brasileira de Produção Científica, v. 1, n. 1, jan-jun. 2026

120

background image

resulta no peso. A qualidade do peso percebida vem da maneira como o dançarino controla as 

forças internas (musculares) e externas (gravidade, inércia). É imprescindível ressaltar que, 

quanto mais leve um movimento parece, mais força realiza-se para que pareça leve. E o 

“abandono” do peso em relação a gravidade não é feito de qualquer jeito pelo performer, 

dançarino, mas sim é algo que exige pesquisa, estudo e técnica para que não se lesione e ceda à 

força da gravidade, dando a ideia de abandono do controle corporal.

O pole dance é uma prática essencialmente gravitacional: o corpo alterna entre resistir

à gravidade e utilizá-la. Resistindo – por exemplo, em movimentos de sustentação já descritos

aqui e utilizando-a em movimento de giro, onde o corpo precisa ceder parcialmente à gravidade, 

deixando que o peso contribua para o giro – parte dessa força é convertida em movimento 

rotacional. Além de poder utilizar intencionalmente, realizando quedas ou movimentos com 

abandonos, dependendo da intenção que se pretende passar através de determinada sequência de 

movimentos no pole.

Outro conteúdo do parâmetro Dinâmica são os modos de execução. São maneiras 

distintas de realizar o movimento em termos de energia e intenção corporal: é como a energia

se  distribui  no   corpo,   influenciando   a   expressividade  do   movimento.   E   são   combinações 

possíveis dos princípios discutidos acima que delimitam modos característicos de execução do

movimento. O estudo e trabalho com os modos de execução são essenciais para um trabalho 

corporal performático. Os modos de execução se dividem em: conduzidos, impulsionados e 

vibratório. 

O modo conduzido é quando a energia flui de forma contínua, sem quebras, sem 

variações bruscas, sem explosões nem interrupções. É direcionado por uma força interna 

constante. É o movimento que se realiza com intenção precisa, sustentado no tempo e no espaço, 

guiado por uma energia constante e controlada. É diferente do que chamamos de movimento 

“fluido”, porque o fluido se espalha livremente, enquanto o conduzido tem direção e controle.

Na Física, o modo conduzido se relaciona ao movimento controlado por força constante 

que compensa o peso, conhecido como equilíbrio dinâmico, e isso implica equilíbrio entre 

forças ativas e resistivas e contém fluxo contínuo de energia cinética, sem picos de impulso, 

quebras e variações bruscas. No pole dance, percebe-se o modo conduzido quando o 

performer 

já possui um controle das suas forças e consciência corporal, independente do movimento: é 

como ela o realiza, mas pode-se observar, por exemplo, em uma subida, e nas transições entre 

uma pose e outra.

Dentro desse modo encontramos os modos ondulante e pendular. O modo conduzido 

ondulante é a passagem contínua da força de um segmento articular a outro, sucessivamente, 

RBPC - Revista Brasileira de Produção Científica | v. 1, n. 1, 2026

rbpc.tech | Edição inaugural

p. 122

A CIÊNCIA NA ARTE DO POLE DANCE

Revista Brasileira de Produção Científica, v. 1, n. 1, jan-jun. 2026

121

background image

através de contrações e relaxamentos, que se propagam por meio de ondulações. A energia se 

propaga de uma parte do corpo para outra, criando curvas e trajetórias contínuas, um modo de 

movimento característico por continuidade e transferência de energia, onde vemos a propagação 

de onda mecânica. Uma onda mecânica é uma perturbação que se propaga em um meio material 

sólido, líquido ou gasoso, transportando energia, mas sem transportar matéria. Por exemplo, 

uma corda presa em uma extremidade, se balançada em sua ponta para cima e para baixo, uma 

onda se forma e se desloca ao longo da corda. Uma forma da onda se modifica, mas ela 

permanece no mesmo lugar. Assim, podemos concluir que o que viaja é a energia, não a matéria. 

Na   Física,   o   movimento   ondulatório   é   uma   perturbação   em   que   há   propagação   e 

transferência de energia através de um meio, mas sem transporte de matéria. A energia se move 

pelo corpo, mas o corpo como um todo permanece, relativamente, no mesmo lugar. Podemos 

visualizar movimentos ondulantes no pole dance em 

Body Waves

Leg Waves

 e em outros estilos 

de dança também, como na dança do ventre, onde é bastante utilizado e perceptível.

Já o pendular, é o movimento em modo conduzido realizado em trajetória pendular. Há

uma repetição rítmica de energia, o corpo não “explode” nem “flui” livremente, mas oscila em

equilíbrio, num ritmo constante e natural, mantendo o corpo em estado de fluxo controlado. Na 

Física, o movimento pendular é o movimento harmônico simples. É uma energia alternando 

entre potencial gravitacional e cinética, movimento contínuo, sem perda brusca de energia: a 

energia diminui continuamente até que se dissipe. Só que quando  há controle humano, o 

movimento e a energia, o movimento pendular, descrito na Física, torna-se uma oscilação 

periódica sob ação da gravidade e da força restauradora, em que os músculos controlam o 

retorno.

Os modos impulsionados são caracterizados por um grande influxo de força. É o 

movimento iniciado por uma descarga rápida de energia, em que a ação não é contínua, mas 

explosiva,   concentrada   e   projetada,   podendo   ser   seguida   de   momentos   de   suspensão   ou 

desaceleração, a depender do controle corporal. Na Física, o modo impulsionado corresponde a 

uma força intensa aplicada em um curto intervalo de tempo, produzindo uma mudança súbita de 

velocidade ou direção, como um salto, giro, ou arremesso do corpo no espaço. Portanto, pode-se 

dizer que o modo impulsionado é a tradução artística do conceito físico de impulso.

O modo impulsionado contém movimentos caracterizados como lançados, balanceados 

e percutidos. O movimento lançado é aquele em que o corpo projeta energia em uma direção. Há 

uma explosão inicial, forte e rápida, que se dissipa gradualmente, e o corpo segue o impulso, 

deixando a gravidade e a inércia agirem. Na Física, há impulso inicial (força × tempo) que 

determina a velocidade e a gravidade, criando uma trajetória e o movimento que desacelera 

RBPC - Revista Brasileira de Produção Científica | v. 1, n. 1, 2026

rbpc.tech | Edição inaugural

p. 123

A CIÊNCIA NA ARTE DO POLE DANCE

Revista Brasileira de Produção Científica, v. 1, n. 1, jan-jun. 2026

122

background image

naturalmente através da resistência do ar, do atrito, ou do controle muscular. Podemos comparar 

com o lançamento de um 

boomerang

, por exemplo. No pole dance, há muitos movimentos nos 

quais o corpo se projeta em direção a barra, como em um salto e esse movimento resolve-se pela 

gravidade e pelo controle muscular.

O movimento balanceado é aquele em que a energia ocorre alternadamente, gerando um 

vai e vem ritmado. Há um impulso, mas acontece a reversão do sentido do movimento. O corpo 

é constantemente retomado pelo controle interno ou pela ação da gravidade. Apresenta três 

fases: um impulso inicial, o abandono do segmento impulsionado à força da gravidade e um 

novo impulso em sentido contrário. 

Na   Física,   o   movimento   balanceado   é   uma   força   restauradora,   sempre   oposta   ao 

deslocamento, produzindo movimentos de vai e vem. Há conversão constante entre energia 

potencial e energia cinética: no ponto máximo, energia potencial (altura); no ponto central, 

energia cinética máxima (velocidade). No pole dance, utilizamos movimentos de balanço para 

conseguir   alcançar   um   nível   de   impulso   necessário   para   realização   de   um   movimento, 

geralmente, inversões ou 

Flips

O balanceado pode ser percebido em muitas outras modalidades de acrobacias aéreas 

também, como no Pole Pendular, no Tecido, no Tecido Marinho em balanço e no Trapézio, nas 

quais o balanço é utilizado na realização de alguns movimentos, para que não haja a necessidade 

de aplicação de tanta força. Então, por exemplo, no ponto máximo, realiza-se a inversão, onde 

ela se torna mais leve de ser realizada, comparada quando realizada a partir do ponto central.

O   movimento   percutido   é   explosivo,   gerado   por   um   grande   influxo   de   forças.   É 

acentuado, ou seja, interrompido por uma intensa contração muscular. É um impulso rápido, 

seco e preciso. A energia é liberada em um instante e interrompida logo em seguida. Há impacto 

e cessação imediata. É o gesto que “bate”, “marca”. Na Física, relaciona-se ao conceito de 

colisão ou impacto, em que há aplicação de uma força intensa durante um período de tempo 

curtíssimo e o resultado é uma mudança instantânea no movimento, na variação de velocidade 

ou pausa, ocorrendo uma transferência de energia no ponto de impacto, como em uma batida de 

tambor. Não à toa, os instrumentos musicais nos quais realizamos esse tipo de movimentação 

para obter o som são chamados de “instrumentos de percussão”. Corporalmente pode expressar 

precisão, força, marcação e ritmo.

Por fim, o modo vibratório é o movimento produzido por intensa contração muscular 

intencional que reverbera visualmente em vibração. São resultantes de uma energia interna 

contínua que gera oscilações sucessivas no corpo ou em partes dele. A energia não se projeta, 

RBPC - Revista Brasileira de Produção Científica | v. 1, n. 1, 2026

rbpc.tech | Edição inaugural

p. 124

A CIÊNCIA NA ARTE DO POLE DANCE

Revista Brasileira de Produção Científica, v. 1, n. 1, jan-jun. 2026

123

background image

como no impulsionado, nem flui, como no conduzido e, sim, permanece concentrada e pulsante, 

alternando contrações e relaxamentos em altíssima frequência. 

Na Física, a vibração é o movimento de oscilação periódica em torno de um ponto de 

equilíbrio. Esse tipo de movimento cria oscilações repetitivas, em que a energia cinética e 

potencial se alternam continuamente. Quando o músculo está no centro da oscilação, tem 

máxima velocidade, energia cinética máxima; e quando o músculo chega ao limite da vibração, 

tem energia potencial máxima, tensão acumulada. E o que visualizamos no corpo é um ciclo 

contínuo   de   tensão   e   liberação,   em   que   a   energia   se   transforma,   mas   nunca   se   dispersa 

completamente. 

No pole dance e na dança em geral, o modo vibratório pode surgir tanto naturalmente, 

sendo resultado físico da tensão muscular ou fadiga, quanto de maneira intencional, sendo um 

uso expressivo da vibração como linguagem corporal.

Os  modos  de   execução   não   costumam  ser   tão   visualizados  no   Pole   Dance,   como 

podemos ver em outras modalidades de dança com mais facilidade, como, por exemplo, na 

Dança do Ventre, em que é fácil perceber os modos ondulante, percutido e vibratório, que estão 

muito presentes. Porém no pole, alguns modos de execução, como o ondulante e o impulsionado 

são muito utilizados, e, alguns modos, como o balanceado, são utilizados como facilitadores. 

Conhecer os modos de execução que estão no parâmetro Dinâmica nos permite aplicá-

los nos movimentos de pole dance, ampliando a expressão, vocabulário de movimentos e 

comunicação corporal. Explorar cada modo, principalmente os que não são tão utilizados, e 

aplicá-los nos movimentos do Pole Dance, cria inúmeras possibilidades.

Foi o que fiz na 

videodança

, parte prática do referido TCC, que deu origem a esta escrita, 

em que pude experimentar em laboratórios de criação, brincar e misturar os modos de execução, 

passando de um acento para um movimento ondulante, por exemplo; de um vibratório para um 

percutido;   e   do   percutido   voltar   para   o   ondulante.   Isso   enriquece   a   dança   e   o   resultado 

performático pode ser muito interessante. Unir os modos de execução à expressividade, ao que 

se quer comunicar, potencializa e amplia a performance no pole dance e é o que busco 

demonstrar na minha 

videodança

.

Ainda há alguns conceitos da Física que se relacionam com o pole dance e acho 

importante acrescentar aqui. O atrito estático é muito utilizado em travas e poses no Pole. Pode 

ser definido, pela Física, como uma força resistente que surge entre duas superfícies em contato, 

no caso, a pele do praticante e a superfície da barra. O coeficiente de atrito depende da textura da 

pele, do suor, dos produtos que chamamos de “

grips

” e do material da barra. Quando se faz uma 

trava corporal no Pole, com a coxa, por exemplo, o corpo aperta a barra entre duas partes do o 

RBPC - Revista Brasileira de Produção Científica | v. 1, n. 1, 2026

rbpc.tech | Edição inaugural

p. 125

A CIÊNCIA NA ARTE DO POLE DANCE

Revista Brasileira de Produção Científica, v. 1, n. 1, jan-jun. 2026

124

background image

corpo. Essa compressão gera a força normal que, multiplicada pelo coeficiente de atrito, cria a 

força de atrito necessária para sustentar o peso do corpo. Se o atrito ou compressão for menor 

que o peso, ocorre o deslizamento e a pessoa escorrega na barra. O suor ou oleosidade diminuem 

o atrito, por isso utilizamos 

grips

 (produtos secos, cerosos ou resinosos e sempre álcool para 

limpar a barra). O tipo da barra também interfere no atrito: barras de latão têm atrito maior, 

enquanto inox ou cromadas têm atrito menor, exigindo mais compressão.

Já o atrito dinâmico é a força que atua entre duas superfícies em movimento relativo. Ou 

seja, quando uma está deslizando sobre a outra. Durante os giros na barra em modo estático, o 

corpo precisa escorregar de forma controlada para permitir a rotação suave em torno da barra. É 

aí que entra o atrito dinâmico: ele é suficiente para dar controle, mas baixo o bastante para 

permitir o deslizamento.

No pole dance, muitos movimentos, giros e poses exigem que o praticante exerça o 

movimento de “puxar” a barra com uma parte do corpo, enquanto empurra a barra com outra 

parte   do   corpo.   Essa   coordenação   de   forças   opostas   é   essencial   para   gerar   equilíbrio, 

sustentação e controle do movimento na barra. Essa ação está diretamente relacionada ao 

princípio da ação e reação, descrito pela Terceira Lei de Newton: “para toda força de ação existe 

uma força de reação de mesma intensidade, mas em sentido oposto.” Assim, quando o corpo 

empurra o pole (ação), o pole empurra o corpo de volta (reação), permitindo que o praticante se 

mantenha sustentado ou execute um giro. Da mesma forma, ao puxar a barra, o corpo aplica uma 

força que gera uma reação igual e contrária, ajudando na estabilidade.

No pole dance, o equilíbrio entre puxar e empurrar é essencial para compreender o que 

facilita realizar ou permanecer em determinado movimento. Porém há conceitos da Física que 

se aplicam e podem explicar ainda melhor essa relação em poses estáticas, como o torque. O 

torque é o conceito que melhor se aplica ao puxar e empurrar em posições no pole dance. 

Quando você puxa com um braço e empurra com o outro, cria um par de forças em sentidos 

opostos, formando um binário de forças que gera torque. Isso faz o corpo rotacionar ou se 

sustentar na barra. Essa combinação de empurrar e puxar não apenas equilibra forças, mas 

também controla a rotação e mantém o equilíbrio.

Além do torque em si, há o conceito de equilíbrio estático, quando a soma de todas as 

forças e torques é zero. Em muitas poses, como por exemplo 

Butterfly

 (fotografia 7), o corpo só 

fica parado porque as forças (peso, reação do poste e tensões musculares) e os torques estão em 

equilíbrio. Ou seja, embora a Lei de Ação e Reação de Newton explique a interação básica de 

empurrar e puxar, o conceito mais adequado para descrever a realização e manutenção de 

RBPC - Revista Brasileira de Produção Científica | v. 1, n. 1, 2026

rbpc.tech | Edição inaugural

p. 126

A CIÊNCIA NA ARTE DO POLE DANCE

Revista Brasileira de Produção Científica, v. 1, n. 1, jan-jun. 2026

125

background image

movimentos e poses no Pole Dance é o torque, pois ele descreve como essas forças opostas 

criam equilíbrio e geram ou param a rotação na barra do Pole.

Fotografia 7:

 

Butterfly

A autora (2025).

Pode-se chamar essa ação de “puxar” e “empurrar” de contrapeso, e, relacionar com a 

Física também. O pole dance é perfeito para observarmos a relação de contrapeso, porque quase 

toda pose envolve o equilíbrio entre peso corporal, forças de tração e compressão e a reação do 

pole, a força que a barra exerce sobre o corpo. Cada pose no pole é um sistema de forças 

vetoriais equilibradas, onde o corpo cria pares de forças opostas: cada ponto de contato gera 

uma força de reação e atrito que compensa o peso ou outra força.

Na dança, e de modo muito visível no pole dance, o contrapeso é a ação consciente de 

criar equilíbrio entre partes do corpo ou entre o corpo e o pole. O corpo do dançarino cria o 

contrapeso através de distribuição de massa, vetores de força e apoios. É um diálogo entre peso 

(gravidade puxando para baixo), força muscular e apoio no pole (resistindo e sustentando o 

corpo) em um equilíbrio de forças intensas em que a soma vetorial de todas as forças deve ser 

zero para manter o equilíbrio.

No pole dance, também se utiliza muitas alavancas, o que também se explica e se 

relaciona com o conceito de torque na Física, só que de uma maneira um pouco diferente. 

Alavanca, na dança e do pole dance, é um movimento que amplia ou equilibra forças através de 

RBPC - Revista Brasileira de Produção Científica | v. 1, n. 1, 2026

rbpc.tech | Edição inaugural

p. 127

A CIÊNCIA NA ARTE DO POLE DANCE

Revista Brasileira de Produção Científica, v. 1, n. 1, jan-jun. 2026

126

background image

um fulcro. Os músculos produzem força e as articulações são os fulcros (termo usado tanto na 

Física quanto na Biomecânica para descrever o ponto de apoio ou eixo fixo de rotação de uma 

alavanca, em torno do qual ocorre o movimento, podendo ser uma articulação ou até mesmo o 

eixo   da   barra   de   pole).   No   pole   dance,   as   alavancas   funcionam   da   seguinte   forma:   as 

articulações   atuam   como   pontos   de   apoio,   os   músculos   geram   as   forças   que   movem   ou 

sustentam o corpo e o peso corporal e a força da barra são as resistências que precisam ser 

equilibradas. O torque é a tendência que uma força tem de fazer um corpo rotacionar em torno 

de um ponto. Durante os movimentos no pole, o corpo precisa manter equilíbrio de torques, e 

visualiza-se isso quando o praticante puxa a barra com um braço e empurra-a com o outro, 

criando um par de forças que gera torque suficiente para sustentar o corpo ou iniciar uma 

rotação. 

Em poses em que o corpo fica suspenso em posições inclinadas ou horizontais, nas quais 

o praticante usa o comprimento do corpo como alavanca: quanto mais longe o centro de massa 

estiver do poste, maior o torque e, portanto, maior o esforço muscular necessário; e para manter-

se estável, os torques gerados pelos músculos e pelas forças de reação da barra precisam se 

equilibrar com o torque causado pelo peso do corpo. Pode-se visualizar muitas alavancas 

também em movimentos de impulso para entrar em determinadas Poses, como 

Handspring

, por 

exemplo, que é a entrada para pose 

Aysha

, através de impulso ou movimento conduzido com 

alavanca de baixo para cima.

O conceito de torque aqui apresentado precisa ser melhor descrito.

 

Nem sempre o torque 

gera uma rotação do corpo no pole dance, mas ele tem a tendência de gerar. Quando segura-se a 

barra e aplica-se forças – com as mãos, braços, pernas etc. – essas forças produzem torques em 

relação ao eixo da barra que, nesse caso, é o eixo de rotação. Mas o que acontecerá com o corpo 

depende de como as forças aplicadas se equilibram.

Então, existem duas situações possíveis: 1) quando o torque e a soma das forças 

aplicadas resultante é diferente de 0, há rotação. Se o torque líquido, ou seja, a soma de todos os 

torques do corpo, em torno da barra, não for zero, então há uma aceleração angular – o corpo 

rotaciona em torno da barra. É o que acontece quando se solta parcialmente e o corpo começa a 

rodar; 2) quando a aplicação das forças e o torque resultante é 0, equilíbrio estático. Assim, não 

há rotação, os torques se equilibram, por exemplo, a força da mão de cima e a da mão de baixo 

se opõem de modo a se compensar. Então, o corpo fica estável e não rotaciona, ocorrendo o 

equilíbrio estático. Isso é o que ocorre em poses estáticas no pole, onde há forças opostas que 

mantêm o corpo em potencial, como nas poses 

Aysha

 e 

Boomerang

.

RBPC - Revista Brasileira de Produção Científica | v. 1, n. 1, 2026

rbpc.tech | Edição inaugural

p. 128

A CIÊNCIA NA ARTE DO POLE DANCE

Revista Brasileira de Produção Científica, v. 1, n. 1, jan-jun. 2026

127

background image

Sendo   assim,   acontecer   ou   não   rotação   em   torno   do   eixo   do   pole   depende  do 

entendimento da aplicação da força e de como aplicá-la segundo a intenção de movimento em 

contrapesos   e   alavancas.  Assim,   como   em   todos   os   tipos   de   movimentos   em   todas   as 

modalidades de Dança, mesmo as que não incluem o conceito de torque, esse é um dos motivos 

do estudo do parâmetro do corpo Dinâmica ser tão importante. O contrapeso, assim como as 

alavancas, são uma tradução corporal da terceira Lei de Newton: para cada força, deve haver 

uma força igual e oposta, aplicada de maneira um pouco diferente. No pole dance esse equilíbrio 

transforma a gravidade em arte: o corpo não apenas resiste ao peso, mas o utiliza para criar 

expressão. 

A seguir, apresenta-se os movimentos realizados especificamente na barra de pole em 

modo giratório, em que analisar-se-á sua relação com as forças centrípeta e centrífuga, conceito 

da   Física   utilizado   nas   aulas   da   autora   para   explicar   às   alunas   como   podem   controlar   a 

velocidade   do   giro   da   barra   através   dos   movimentos,   principalmente   de   expansão   e 

recolhimento.

O que é força centrípeta? É a força real que mantém um corpo em movimento circular,

puxando-o para o centro da trajetória. É a força gravitacional que mantém a Terra em órbita ao 

redor do Sol e também é responsável por manter o corpo na trajetória curva. O que é força 

centrífuga? É uma força aparente, uma sensação que existe do ponto de vista de um referencial 

não-inercial. Aponta sempre para fora do eixo ao qual está se circulando. Não é uma força real 

que age sobre o corpo, mas sim uma forma de explicar uma sensação em um referencial 

acelerado.

Observa-se a aplicação da força centrípeta na primeira Lei de Newton, conhecida como 

a Lei da Inércia: um corpo em repouso tende a permanecer em repouso e um corpo em 

movimento tende a permanecer em movimento com velocidade constante em linha reta, a 

menos que uma força externa atue sobre ele. Porém isso se refere a objetos. Em relação ao 

corpo, não precisa que uma força externa seja aplicada sobre para sair-se ou entrar na inércia, 

nem para mudarmos a velocidade e trajetória dos movimentos. Realiza-se isso com a força dos 

músculos.

No pole dance, realizamos movimentos no modo giratório da barra. A barra gira, e o 

corpo permanece em movimento circular ao redor do eixo vertical do Pole. Se se move em 

círculo, como no Pole em modo giratório, isso quebra a inércia, porque o movimento não é mais 

em linha reta. E é aí que entra a força centrípeta, que é a força externa necessária para “quebrar” 

a tendência de manter o objeto se movendo em curva. Aplica-se uma força para manter-se 

girando, chamada de força centrípeta. Gira-se, pois age-se contra a inércia. Sem a aplicação da 

RBPC - Revista Brasileira de Produção Científica | v. 1, n. 1, 2026

rbpc.tech | Edição inaugural

p. 129

A CIÊNCIA NA ARTE DO POLE DANCE

Revista Brasileira de Produção Científica, v. 1, n. 1, jan-jun. 2026

128

background image

força humana, sair-se-ia em linha reta, tangente à curva. Porém a força que se faz em direção ao 

centro do giro é o que nos mantém na trajetória curva. A força vem dos músculos, então é uma 

força interna. Mas para analisar o movimento, a Física considera forças externas ao corpo em 

movimento. Quando seguramos o pole, ele exerce uma força sobre nós, reação de contato. E 

essa é a força externa que age sobre o corpo. Assim, a força centrípeta é externa, vem da barra. 

Mas é o dançarino que a gera com seus músculos, com sua força interna, ao segurar o pole.

No pole, somos a fonte da força centrípeta e o pole é o apoio que permite que essa força 

exista. A sensação de estar sendo puxada para fora é a força centrífuga e é o que se sente porque 

aplica-se uma força real, a centrípeta, para manter-se girando. Então, o que costuma acontecer 

quando a barra está em modo giratório é: a força centrípeta exigida aumenta, dependendo do 

impulso para entrar no movimento e da velocidade; quanto maior a velocidade, mais sente-se a 

força centrífuga. Essa sensação de ser “puxada para fora” cria a necessidade de aplicar mais 

força muscular para manter o movimento na barra. Por conta disso, existem estratégias que a 

autora usa nas

 

aulas, que podem ajudar as alunas a se acostumarem com os movimentos no Pole 

em   modo   giratório,   e,   também   podem   ser   utilizados   como   formas   de   expressividade   em 

performances.

Precisa-se compreender que quanto mais próximas estamos do eixo, ou seja, do pole, 

maior é a velocidade, isto é, maior é a sensação da força centrífuga e, consequentemente, 

precisa-se aplicar mais força centrípeta. Então, a estratégia é manipular a posição do corpo para 

acelerar ou desacelerar a rotação, “brincando” com movimentos de expansão e recolhimento, 

pois os movimentos de recolhimento aceleram o giro e exigem mais força e os de expansão 

desaceleram   e   nos   permitem   mais   controle.   Por   exemplo,   o   movimento  

Drama   Queen 

(fotografia 8), que é recolhido e bem próximo do eixo do pole, acelera a velocidade e demanda 

mais força centrípeta para nos segurarmos, por conta da sensação da força centrífuga. 

Fotografia 8:

 

Drama Queen

RBPC - Revista Brasileira de Produção Científica | v. 1, n. 1, 2026

rbpc.tech | Edição inaugural

p. 130

A CIÊNCIA NA ARTE DO POLE DANCE

Revista Brasileira de Produção Científica, v. 1, n. 1, jan-jun. 2026

129

background image

A autora (2019).

Então, se quisermos diminuir a velocidade, seja por uma necessidade do corpo ou por 

um recurso performático, podemos transitar dele para um movimento de expansão, em que o 

corpo se afasta do eixo da barra, como, por exemplo, o 

Seat Superman 

(fotografia 9). Então, 

seria uma transição do 

Drama Queen

 para 

o Seat Superman

, que além de funcionar no controle 

da velocidade e na aplicação de força muscular, ainda tem valor poético e performático, 

dependendo da intenção com que se realiza essa movimentação.

Fotografia 9:

 

Seat Superman

A autora (2025).

Ao longo do estudo, para a construção do TCC, foram realizados laboratórios práticos 

corporais e análises do movimento, nos quais teoria e prática se alimentaram mutuamente como 

desdobramento poético e corporal da pesquisa, explorando visualmente os princípios físicos 

presentes   nos   movimentos   com   o   pole   dance,   o   que   dialogou   com   processos   criativos   e 

RBPC - Revista Brasileira de Produção Científica | v. 1, n. 1, 2026

rbpc.tech | Edição inaugural

p. 131

A CIÊNCIA NA ARTE DO POLE DANCE

Revista Brasileira de Produção Científica, v. 1, n. 1, jan-jun. 2026

130

background image

culminou na criação da 

videodança

 “Conexões: Eixos e Sombras”, articulando ciência, corpo e 

arte   como   campos   interdependentes.   O   vídeo   pode   ser   assistido   nos   links: 

https://youtu.be/3PIvH_MjwwI

 ou  

https://youtu.be/j4OvlPNQ47g

 Legendado. 

A obra investiga relações entre força, gravidade, impulso, suspensão, desequilíbrio e 

fluxo   corporal,   transformando   conceitos   científicos   em   linguagem   artística   e   expressiva. 

Através da interação entre corpo, movimento e aparelho, propondo uma reflexão sobre a 

integração entre ciência e arte na construção da performance. O estudo culminou em um marco 

institucional importante: a instalação da primeira barra de pole dance na UFRJ (onde foram 

realizadas as filmagens da 

videodança

) e a realização da primeira aula de pole dance ministrada 

na universidade pela própria autora da pesquisa.

REFERÊNCIAS:

CUNHA, Maria Luisa Bonadia.  

A Ciência na Arte do Pole Dance:  

Diálogos e Reflexões. 

Trabalho de Conclusão de Curso – Departamento de Arte Corporal, Universidade Federal do 
Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2025.

CUNHA, Maria Luisa Bonadia.  

Conexões:  

Eixos e Sombras. Rio de Janeiro: Universidade 

Federal do Rio de Janeiro, 2025. Disponível em: https://youtu.be/j4OvlPNQ47g. Acesso em: 26 
mai. 2026.

LEPECKI, André. “Stress.” In: 

ReMembering the body

. Gabriele Brandstetter and Hortensia 

Völckers (org). Ostfildern-Ruit: Hatje Cantz Verlag, 2000.

RBPC - Revista Brasileira de Produção Científica | v. 1, n. 1, 2026

rbpc.tech | Edição inaugural

p. 132

A CIÊNCIA NA ARTE DO POLE DANCE

Revista Brasileira de Produção Científica, v. 1, n. 1, jan-jun. 2026

131