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ENTRE O AFETO E O MÉTODO: DESAFIOS E ESTRATÉGIAS NA MEDIAÇÃO 

ESCOLAR DE UM ALUNO COM TEA NÃO VERBAL

BETWEEN AFFECTION AND METHOD: CHALLENGES AND STRATEGIES IN 

THE SCHOOL MEDIATION OF A STUDENT WITH NON-VERBAL ASD

RESUMO 

Este relato de experiência analisa os desafios enfrentados por uma estagiária de Pedagogia na 
mediação escolar de um estudante com Transtorno do Espectro Autista severo não verbal no 
Ensino Fundamental I.  Através da observação participante, com a técnica de diária de campo e 
análise   qualitativa.   A   vivência   destaca   a   complexidade   da   prática   inclusiva   cotidiana, 
caracterizada   pela   oscilação   do   educando   em   momentos   de   desregulação,   motivadas   por 
sobrecarga sensorial e barreiras comunicativas, e momentos de afetuosidade. Frente a esse 
cenário   e   fundamentando-se   no   referencial   teórico   histórico-cultural   e   na   análise   do 
comportamento, foram implementadas estratégias de estruturação ambiental, como rotinas 
visuais, e adaptações curriculares multissensoriais. O trabalho examina criticamente as lacunas 
na formação inicial do pedagogo quanto à educação especial e problematiza o uso de estagiários 
como suporte exclusivo de inclusão à luz da Lei Brasileira de Inclusão. Conclui-se que a 
mediação eficaz exige a superação de visões romantizadas combinando o método científico com 
o afeto.

Palavras-chave

: Inclusão, Autismo, Estágio. 

ABSTRACT

This experience report analyzes the challenges faced by a Pedagogy intern in the school 
mediation of a non-verbal student with severe Autism Spectrum Disorder in Elementary School 
I. Through participant observation, using the field diary technique and qualitative analysis, the 
experience highlights the complexity of daily inclusive practice, characterized by the student's 
oscillation   between   moments   of   dysregulation,   motivated   by   sensory   overload   and 
communication barriers, and moments of affection. Faced with this scenario and based on the 
historical-cultural   theoretical   framework   and   behavior   analysis,   environmental   structuring 
strategies were implemented, such as visual routines, and multisensory curricular adaptations. 
The work critically examines the gaps in the initial training of pedagogues regarding special 
education and problematizes the use of interns as the sole support for inclusion in light of the 
Brazilian   Inclusion   Law.   It   concludes   that   effective   mediation   requires   overcoming 
romanticized views by combining the scientific method with affection.

Keywords:

 Inclusion, Autism, Internship.

 

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Trabalho submetido em janeiro de 2026. Aprovado em junho de 2026

Trabalho submetido em janeiro de 2026. Aprovado em junho de 2026

1 Graduanda em Pedagogia - UNOPAR

Lourena Klia¹

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INTRODUÇÃO

A   inclusão   escolar   de   alunos   com   Transtorno   do   Espectro   Autista   no   cenário 

educacional brasileiro representa um dos maiores e mais complexos desafios contemporâneos 

para a gestão pública e para a consecução da prática pedagógica cotidiana nas salas de aula 

regulares. O debate em torno do direito à educação para as pessoas com deficiência e com 

transtornos globais do desenvolvimento ganhou contornos mais definidos a partir dos anos 

1990, impulsionado por movimentos internacionais e pela própria redemocratização do país 

(Mantoan, 2015).

 No entanto, a transição de um modelo que isolava esses indivíduos para um modelo  de 

integração (inclusão)  exige muito mais do que a garantia legal de matrículas; ela requer  uma 

reestruturação   profunda   das   culturas,   das   políticas   e   das   práticas   institucionais   que 

historicamente fundamentaram o sistema de ensino nacional.

Amparada   por   marcos   legais   robustos,   como   a   Política   Nacional   de   Proteção   dos 

Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, instituída pela Lei Berenice Piana em 

2012, e a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, sancionada em 2015, a 

matrícula desses estudantes na rede regular de ensino tornou-se um direito indiscutível e 

inalienável. A legislação brasileira avançou de forma significativa ao reconhecer a pessoa com 

autismo   como   pessoa   com   deficiência   para   todos   os   efeitos   legais,   o   que   garantiu   a 

universalização do acesso e proibiu qualquer forma de discriminação ou recusa de matrícula por 

parte das instituições de ensino, sejam elas públicas ou privadas. O arcabouço normativo 

brasileiro passou a exigir que a escola se adapte para receber o aluno, abandonando  a lógica 

anterior em que o sujeito com deficiência deveria se reabilitar para estar apto a frequentar o 

espaço comum.

Contudo,   a   garantia   de   acesso   físico   e   formal   não   se   traduz   automaticamente   em 

permanência qualificada, tampouco em desenvolvimento cognitivo, motor, afetivo e social 

efetivo para os estudantes que necessitam de níveis elevados de suporte. Essa desconexão entre 

o texto legal e as condições materiais de funcionamento das escolas de educação básica gera 

lacunas   estruturais   que   frequentemente   são   preenchidas   pela   atuação   de   estagiários   de 

graduação em Pedagogia. 

Diante da escassez de profissionais concursados e especializados na área de apoio à 

inclusão, muitas redes de ensino recorrem ao trabalho de estudantes de licenciatura para exercer 

a função de mediadores escolares, atribuindo-lhes uma responsabilidade técnica e afetiva que 

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extrapola os limites convencionais da atividade de estágio curricular supervisionado (Schmidt 

et al., 2016).

Diante desse cenário, este relato de experiência tem como objetivo principal analisar e 

discutir de forma crítica os desafios vivenciados por uma estagiária do curso de Pedagogia 

durante o processo de mediação pedagógica de um aluno com autismo severo, não verbal, 

matriculado na rede regular de Ensino na cidade Araruama-RJ, no terceiro ano do Ensino 

Fundamental   I.   A   relevância   deste   trabalho     se   justifica   pela   necessidade   de   discutir   a 

complexidade da prática cotidiana na educação especial na perspectiva inclusiva, indo muito 

além das diretrizes teóricas simplificadas e idealizadas que costumam preencher os manuais 

acadêmicos de formação docente. A vivência profissional direta revelou uma rotina escolar 

marcada pela alternância imprevisível de comportamentos por parte do educando, que oscilava 

entre sinais de desregulação e momentos de manifestação de afeto, carinho e busca de contato 

interpessoal.

Vale ressaltar que a formação inicial do pedagogo no Brasil, embora tenha passado por 

diversas reformulações curriculares ao longo das últimas décadas, frequentemente prioriza os 

aspectos   puramente   teóricos   do   desenvolvimento   infantil   e   das   metodologias   gerais   de 

alfabetização e letramento, oferecendo pouca ou nenhuma instrumentalização prática para o 

manejo   de   condutas   severamente   disruptivas   ou   para   a   implementação   de   sistemas   de 

comunicação alternativa. Diante dessa lacuna na  realidade formativa, a atuação em sala de aula 

comum exige do estagiário a construção autônoma de estratégias intuitivas, mas que necessitam 

ser gradativamente   cientificadas em tempo real. Essa contingência transforma o espaço do 

estágio   em   um   laboratório   de   formação   em   serviço   de   alta   complexidade   e   densidade 

emocional, onde o futuro professor se depara com os limites de seus saberes e com a urgência de 

respostas   pedagógicas   eficazes.   Nas   seções   seguintes,   serão   discutidos   o   contexto   da 

observação   participante,   as   dinâmicas   comportamentais   e   neurobiológicas   do   estudante 

acompanhado, as estratégias específicas de mediação e adaptação curricular adotadas e as 

reflexões teórico-críticas que fundamentam e sustentam essa prática profissional.

METODOLOGIA 

Do   ponto   de   vista   metodológico,   este   trabalho   se   configura   como   um   relato   de 

experiência   de   natureza   qualitativa,   desenvolvido   a   partir   do   método   da   observação 

participante. Conforme apontam Bogdan e Biklen (2013), a investigação qualitativa exige que o 

pesquisador   frequente  os  locais  onde   os  fenômenos  ocorrem   naturalmente,   tornando-se  o 

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instrumento principal de coleta de dados. No contexto desta vivência, a inserção direta da 

estagiária na rotina da sala de aula permitiu não apenas acompanhar as ações do estudante 

mediado, mas compreender os significados e as dinâmicas sociais estabelecidas no chão da 

escola regular.

O principal instrumento de registro e coleta das informações foi o diário de campo, uma 

ferramenta essencial para o pesquisador em educação. Segundo Lüdke e André (2018), o diário 

de campo viabiliza a captação do fluxo de eventos, as reações dos sujeitos, as dificuldades 

enfrentadas e as percepções subjetivas do observador em tempo real. Os registros diários sobre 

as oscilações comportamentais do aluno Aluno X e a eficácia das adaptações curriculares 

propostas serviram de matéria-prima para a posterior análise crítico-teórica apresentada neste 

documento.

Por   se   tratar   de   um   relato   envolvendo   um   menor   de   idade   em   condição   de 

vulnerabilidade, os preceitos éticos foram rigorosamente observados. Em consonância com as 

diretrizes de integridade na pesquisa científica, a identidade real do estudante, bem como o 

nome da instituição de ensino pública que sediou o estágio, foram completamente preservados 

no caso do estudante, por meio do uso de pseudônimos,  e é citado como aluno X, garantindo o 

anonimato e o respeito à privacidade dos envolvidos.

1.  O MARCO LEGAL DA INCLUSÃO ESCOLAR E A LEI BRASILEIRA DE INCLUSÃO

Para compreender o cotidiano da Escola, torna-se indispensável examinar a densidade e 

o   alcance   dos   dispositivos   legais   que   regulamentam   a   educação   especial   na   perspectiva 

inclusiva no Brasil, com foco especial na Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015, conhecida como 

Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência ou Estatuto da Pessoa com Deficiência. A 

LBI consolidou um longo processo de internalização de tratados internacionais de direitos 

humanos, incorporando os princípios contidos na Convenção da Organização das Nações 

Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, assinada em Nova York em 2006 e 

promulgada no Brasil com status de emenda constitucional pelo Decreto nº 6.949 em 2009. O 

Capítulo IV da referida lei é dedicado exclusivamente ao direito à educação, estabelecendo de 

forma peremptória em seu Artigo 27 que a educação constitui direito da pessoa com deficiência 

em todo o seu ciclo de vida, assegurado um sistema de educacional inclusivo em todos os níveis 

e aprendizado ao longo de toda a vida.

A criação da LBI (Lei Brasileira de Inclusão) mudou totalmente a forma como a lei e a 

ciência   enxergam   a   deficiência.   Ela   deixou   de   lado   o   modelo   biomédico   (que   tratava   a 

deficiência apenas como uma "doença" ou um "problema médico" da pessoa) e passou a usar o 

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modelo social. A partir dessa virada conceitual, a deficiência deixa de ser considerada uma 

patologia ou uma limitação própria e imutável do indivíduo, a partir daí, a deficiência passou a 

ser vista como o resultado do impacto entre as condições da pessoa (físicas, mentais ou 

sensoriais) e as barreiras que o mundo coloca no caminho dela. São essas barreiras que impedem 

a pessoa de participar da sociedade como todo mundo. Na escola, essa ideia muda tudo: se um 

aluno   não   está   aprendendo,   a   culpa   não   é   do   diagnóstico   ou   da   condição   dele.   A 

responsabilidade   é   da   escola   e   educadores   que   devem   utilizar   metodologias   e   recursos 

adequados às necessidades dos alunos, garantindo que os conteúdos sejam apresentados de 

forma compreensível e favoreçam a aprendizagem de todos. Quando esses conceitos não são 

adotados pela unidade escolar compreende-se  que  a escola não soube identificar e derrubar as 

barreiras que estão atrapalhando esse aluno, conforme defende Mantoan (2015).

Para visualizar na prática como essa mudança de perspectiva transforma o ambiente 

escolar, veja a imagem abaixo. Ela ilustra exatamente a diferença entre um espaço cheio de 

obstáculos e uma escola que acolhe a todos, deixando claro que a inclusão se faz derrubando as 

barreiras do dia a dia.

Figura 1 – Obstáculos X acolhimento

Fonte: Assistiva Tecnologia e Educação

Esses obstáculos que a escola precisa derrubar se dividem em quatro tipos principais: as 

barreiras de arquitetura e estrutura física

 

 (como falta de rampas),  de atitudes, (preconceito), 

pedagógicas (falta de materiais adaptados) e de comunicação (falta de Libras ou Braille).

Nesse sentido, o Artigo 28 da Lei Brasileira de Inclusão detalha as obrigações do poder 

público para assegurar a eficácia do sistema educacional inclusivo, prevendo expressamente a 

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oferta de profissionais de apoio escolar para atuar em sala de aula, bem como a disponibilização 

de serviços de Atendimento Educacional Especializado no contraturno e a adoção de medidas 

individualizadas e coletivas em ambientes que maximizem o desenvolvimento acadêmico e 

social. 

O texto da lei deixa claro que o profissional de apoio é aquele que exerce atividades de 

alimentação, higiene e locomoção do estudante com deficiência e atua em todas as atividades 

escolares nas quais se faça necessária, em todos os níveis e modalidades de ensino. Entretanto, a 

regulamentação ambígua da natureza estritamente pedagógica ou apenas assistencial desse 

profissional nas diferentes esferas municipais e estaduais cria zonas de penumbra, nas quais os 

estagiários de pedagogia acabam assumindo o papel de regentes de fato do aluno de inclusão, 

operando uma exclusão interna onde o estudante fica isolado em sua carteira com o estagiário, 

sem interagir com o restante da classe ou com a professora regente.

Além da LBI, a Lei nº 12.764 de 2012, que instituiu a Política Nacional de Proteção dos 

Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, garante em seu Artigo 3º, parágrafo 

único, o direito do aluno com TEA matriculado em classes comuns de ensino regular a um 

acompanhante especializado em casos de comprovada necessidade, seja por severa limitação de 

comunicação ou por severa desorganização comportamental. A presença desse acompanhante 

ou mediador é um direito garantido por lei e visa assegurar a permanência e a segurança do 

educando no ambiente escolar.

 Porém, a prática administrativa das secretarias de educação tem sido a contratação de 

estagiários sem vínculo empregatício estável e com remuneração reduzida para ocupar esse 

posto de alta complexidade técnica. Essa fragilidade institucional gera uma rotatividade imensa 

de mediadores ao longo do ano letivo, o que é prejudicial para o aluno autista, o qual necessita 

de estabilidade, previsibilidade e manutenção de vínculos afetivos e rotineiros consistentes para 

conseguir se autorregular e aprender de forma satisfatória (Camargo, et al, 2020) 

3   A   FORMAÇÃO   INICIAL   DO   PEDAGOGO   FACE   À   EDUCAÇÃO   ESPECIAL   NO 

BRASIL

A formação inicial do professor generalista que atuará na Educação Infantil e nos anos 

iniciais do Ensino Fundamental tem sido alvo de severas críticas por parte de pesquisadores da 

área da educação especial, que apontam um distanciamento crônico entre as teorias abstratas 

ensinadas nas universidades e as demandas reais e multifacetadas encontradas no cotidiano das 

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redes públicas de ensino (Gatti, 2010). As Diretrizes Curriculares Nacionais para o curso de 

Pedagogia estabelecem a necessidade de preparar o futuro docente para atuar com a diversidade 

e   para   promover   a   inclusão   de   alunos   com   necessidades   educacionais   especiais,   mas   a 

transposição desse mandamento para as matrizes curriculares das instituições de ensino superior 

costuma se dar de forma periférica e fragmentada (Michels, 2011).

Na grande maioria dos cursos de Pedagogia das universidades brasileiras, a temática da 

educação especial é sintetizada em apenas uma ou duas disciplinas obrigatórias, geralmente 

intituladas Fundamentos da Educação Especial ou Educação Inclusiva, com carga horária que 

raramente ultrapassa sessenta horas. Nessas disciplinas, prioriza-se uma abordagem histórica e 

sociológica que discute a evolução dos conceitos de deficiência ao longo dos séculos e a 

legislação   vigente,   mas   que   deixa   de   fora   os   conteúdos   de   ordem   estritamente   didático-

pedagógica (Glat; Pletsch, 2011).

 O graduando conclui o curso conhecendo os artigos da lei e os discursos filosóficos 

sobre o respeito à diferença, mas sem saber como elaborar um Plano de Desenvolvimento 

Individualizado, como realizar uma adaptação curricular para um aluno que não escreve ou 

como manejar uma crise de agitação psicomotora em uma sala de aula com mais de trinta 

crianças. Essa fragilidade na formação inicial decorre de uma concepção acadêmica que por 

muito   tempo   considerou   a   educação   especial   como   um   campo   de   saber   isolado,   de 

responsabilidade exclusiva dos especialistas em psicopedagogia ou fonoaudiologia, eximindo o 

professor da classe comum da obrigação de dominar esses saberes didáticos diferenciados. Ao 

ingressar no estágio curricular, o estudante de Pedagogia experimenta o que a literatura chama 

de   choque   da   realidade,   ao   constatar   que   a   sala   de   aula   real   é   heterogênea   e   que   os 

conhecimentos gerais sobre psicologia do desenvolvimento de bases universais não dão conta 

das singularidades do neurodesenvolvimento presentes em transtornos severos como o autismo 

nível três de suporte (Martins; Chaccur, 2020).

O estágio, que deveria ser um espaço de aplicação e reflexão supervisionada de teorias 

previamente consolidadas, passa a funcionar como o único espaço de aquisição empírica de 

ferramentas de sobrevivência pedagógica, gerando sobrecarga física e sofrimento psíquico no 

licenciando (Schmidt et al., 2016). Além disso, a ausência de uma sólida formação na área de 

tecnologia assistiva e de comunicação alternativa impede que o futuro pedagogo exerça seu 

papel de mediador do conhecimento com eficiência. 

Sem o domínio de metodologias baseadas em evidências científicas, o professor recém-

formado ou o estagiário tende a adotar posturas extremadas e inadequadas: ou se posiciona de 

forma superprotetora, realizando as tarefas pelo aluno e anulando sua autonomia, ou adota uma 

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postura de negligência pedagógica por acreditar que aquele estudante é incapaz de aprender 

qualquer conteúdo formal (Nunes; Schmidt, 2019).

 A superação desse cenário exige a reformulação urgente das matrizes curriculares da 

Pedagogia, de modo que os saberes da educação especial não fiquem confinados em uma 

disciplina isolada, mas atravessem de forma transversal todas as metodologias de ensino de 

leitura, escrita, matemática, ciências e artes, preparando o docente para uma prática pedagógica 

verdadeiramente universal e acessível a todas as mentes humanas (Mantoan, 2015).

4 CONTEXTUALIZAÇÃO DO AMBIENTE E DO SUJEITO DO RELATO

A experiência compreendeu o acompanhamento diário das atividades pedagógicas em 

uma turma regular do terceiro ano do Ensino Fundamental I, composta por vinte e cinco 

estudantes com idades entre oito e dez anos. A rotina da sala de aula era planejada e coordenada 

pela professora regente da turma, enquanto a estagiária de Pedagogia desempenhava a função de 

mediadora escolar exclusiva de um único estudante, aqui identificado pelo nome fictício de 

aluno X , com oito anos de idade. O aluno X possuía diagnóstico clínico fechado de Transtorno 

do Espectro Autista nível três de suporte, associado a um quadro de deficiência intelectual e 

ausência completa de fala articulada, caracterizando-o como autista severo não verbal.

A infraestrutura da escola refletia a histórica precariedade que atinge as instituições de 

ensino públicas no território nacional, uma vez que,  muitas ainda não são verdadeiramente 

adaptadas pare receber esses alunos. Naturalmente havia na sala,  alta densidade de som  gerada 

pela própria aglomeração de vinte e cinco crianças em um espaço físico não adequado. As 

paredes da sala continham excesso de cartazes coloridos e estímulos visuais desorganizados 

que,   longe   de   contribuir   para   a   alfabetização,   funcionavam   como   fontes   permanentes   de 

distração e de sobrecarga sensorial para um estudante com o perfil neurobiológico de Aluno X, 

cuja capacidade de filtrar estímulos ambientais irrelevantes era severamente comprometida pela 

disfunção do processamento sensorial inerente ao autismo severo.

Aluno X não fazia uso de nenhum sistema estruturado de Comunicação Alternativa e 

Ampliada   antes   da   chegada   da   estagiária   e   também   não   contava   com   um   Plano   de 

Desenvolvimento Individualizado elaborado pela escola. Suas necessidades biológicas mais 

básicas, como sede, fome ou dor, assim como seus sentimentos de frustração, cansaço ou desejo 

de se afastar do ambiente barulhento, eram comunicados de forma rudimentar através do 

próprio corpo, por meio de choro, emissão de sons guturais estridentes e reações emocionais 

intempestivas   que   frequentemente   culminavam   em   crises   agudas   de   desorganização 

comportamental. O papel assumido pela estagiária de pedagogia configurava-se, portanto, 

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como uma atividade de alta complexidade: era preciso atuar simultaneamente na contenção 

afetiva das crises, na busca de canais mínimos de comunicação com o aluno e na adaptação 

emergencial   dos   conteúdos   curriculares   propostos   pela   regente,   sem   dispor   de   materiais 

didáticos apropriados ou de supervisão técnica especializada no interior da escola.

5 A OSCILAÇÃO COMPORTAMENTAL: O MANEJO ENTRE A AGRESSIVIDADE E O 

AFETO

O cotidiano da mediação com Aluno X revelou-se um território marcado pela profunda 

instabilidade   e   imprevisibilidade   das   reações   comportamentais   do   estudante,   exigindo   da 

estagiária um estado de alerta constante e uma capacidade apurada de leitura de sinais corporais 

microscópicos. Os momentos de desorganização comportamental de Aluno X manifestavam-se 

por meio de episódios severos de desregulação   e comportamento autolesivo, que incluíam 

gritos agudos, desferimento de socos contra a própria cabeça, mordidas nas próprias mãos, 

arranhões profundos nos braços da estagiária e tentativas de arremessar cadeiras, livros e estojos 

em direção aos colegas de classe. Esses comportamentos não ocorriam de forma aleatória ou por 

capricho voluntário, mas funcionavam, como explica a literatura da Análise do Comportamento 

Aplicada, como formas de comunicação funcionalmente direcionadas à obtenção de fuga de 

uma   demanda   pedagógica   considerada   exaustiva   ou   ao   afastamento   de   um   ambiente 

sensorialmente hostil.

O principal gatilho identificado para o desencadeamento dos momentos de desregulação 

era a quebra involuntária da rotina e a hipersensibilidade auditiva do aluno. Em dias de chuva 

intensa, quando o barulho da água sobre o telhado da escola se somava aos gritos das crianças, o 

sofrimento físico do aluno X tornava-se insuportável; sem recursos verbais para expressar que a 

audição lhe causava dor real, ele utilizava a agressividade como o único recurso disponível para 

sinalizar que precisava sair daquele local. O manejo dessas situações exigia que a estagiária não 

respondesse à violência com agressividade verbal ou coerção física, mas sim com a diminuição 

do tom de voz, o afastamento dos objetos perigosos e o deslocamento do estudante para um 

ambiente silencioso e neutro, como a biblioteca vazia ou o pátio externo, permitindo que seu 

sistema nervoso retornasse ao estado de homeostase e autorregulação.

Por outro lado, quando os estímulos ambientais eram adequadamente controlados e as 

demandas   eram   divididas     em   etapas   curtas,   aluno   X   exibia   um   padrão   comportamental 

completamente   oposto,   caracterizado   por   profundas   manifestações   de   afeto,   carinho   e 

docilidade. Nesses momentos de calmaria, o aluno buscava ativamente a proximidade física 

com a estagiária. Essa oscilação extrema impunha à futura pedagoga o desafio psicológico de 

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não guardar ressentimentos das agressões sofridas e de compreender que o afeto demonstrado 

por Aluno X era o indicador de que um vínculo de confiança mútua estava sendo construído. A 

afetividade emergia não como um mero adereço sentimentalista da relação pedagógica, mas 

como   a   condição   básica   e   indispensável   de   possibilidade   para   que   qualquer   intervenção 

educacional ou comunicativa pudesse ser proposta e aceita pelo estudante.

6 AS ESTRATÉGIAS DE INTERVENÇÃO E ADAPTAÇÃO CURRICULAR NO CHÃO DA 

SALA

Percebendo que a mera permanência passiva do Aluno X na sala de aula contribuía para 

o agravamento de seu quadro de isolamento e irritabilidade, a estagiária deu início à elaboração 

e implementação de estratégias de intervenção pedagógica baseadas na estruturação ambiental e 

na flexibilização do currículo. A primeira ação desenvolvida foi a confecção artesanal de uma 

rotina   visual   individualizada   utilizando   pequenos   cartões   plastificados   com   desenhos   em 

formato   de   pictogramas   que   representavam   detalhadamente   a   sequência   cronológica   dos 

acontecimentos do dia: chegada, guardar a mochila, atividade na mesa, lanche, uso do banheiro, 

pátio e hora de ir embora. Ao fixar essa sequência na mesa do Aluno X e ensinar o aluno a retirar 

o   cartão   da   atividade   que   havia   sido   concluída,   a   estagiária   conseguiu   oferecer-lhe   a 

previsibilidade necessária para aplacar a ansiedade decorrente da incompreensão da passagem 

do tempo, o que resultou em uma redução drástica no número de crises comportamentais logo 

nas primeiras semanas de uso da ferramenta.

No plano das atividades de ensino, a disparidade entre o conteúdo ministrado para a 

turma comum e as reais possibilidades de Aluno X exigiu uma reconstrução total das propostas 

didáticas. Enquanto os demais estudantes realizavam a leitura de textos complexos e resolviam 

operações de divisão e multiplicação no caderno, Aluno X era convidado a se engajar em tarefas 

que estimulavam as funções executivas básicas, a atenção compartilhada, a discriminação 

visual   e   a   coordenação   motora   fina.   A   estagiária   confeccionou   uma   série   de   materiais 

pedagógicos estruturados em caixas de sapato e potes plásticos reutilizáveis, utilizando recursos 

como pregadores de roupa coloridos para pareamento de cores, letras texturizadas com lixa 

d'água para o reconhecimento tátil das formas do alfabeto e jogos de associação entre numerais 

e quantidades concretas utilizando sementes e grãos de feijão.

A adaptação curricular proposta seguiu as premissas do Desenho Universal para a 

Aprendizagem, buscando oferecer múltiplos meios de engajamento, representação e expressão 

do conhecimento. Cada atividade era apresentada ao Aluno X de forma isolada, evitando o 

excesso de poluição visual na mesa de trabalho, e as instruções eram fornecidas por meio de 

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comandos curtos, claros e diretos, acompanhados de pistas visuais e de apoio físico leve quando 

necessário. O foco das intervenções não residia na cobrança pelo cumprimento de metas de 

alfabetização tradicionais, mas no desenvolvimento da autonomia nas atividades de vida diária 

e no fortalecimento de competências cognitivas fundamentais. 

Os avanços alcançados pelo  Aluno X, embora considerados discretos sob a ótica de uma 

avaliação somativa escolar tradicional, representaram saltos gigantescos em sua trajetória de 

desenvolvimento,   provando   que   mesmo   o   autismo   em   nível   mais   severo   responde 

positivamente quando exposto a um ambiente educacional intencionalmente estruturado e 

mediado com intencionalidade científica.

7 DIÁLOGO TEÓRICO-CRÍTICO COM A LITERATURA ACADÊMICA NACIONAL

A   análise   aprofundada   da   experiência   vivida   no   estágio   de   Pedagogia   adquire 

consistência científica ao ser colocada em diálogo com a literatura acadêmica contemporânea 

produzida por pesquisadores brasileiros que investigam a inclusão de alunos com autismo 

severo e a formação de professores. Sob a perspectiva da teoria histórico-cultural de Lev 

Vygotsky, a deficiência não deve ser interpretada de forma estanque como uma tragédia 

biológica individual, mas sim como um fenômeno social que desafia a cultura a produzir formas 

alternativas   e   compensatórias   de   desenvolvimento.   Vygotsky   argumenta   que   as   funções 

psicológicas superiores, como a atenção voluntária, a memória e o pensamento abstrato, são 

construídas primeiramente no plano interpsicológico, ou seja, na interação social mediada pelo 

uso de signos e ferramentas culturais, para somente depois serem internalizadas no plano 

intrapsicológico do sujeito. No caso de Aluno X, a estagiária de Pedagogia atuou exatamente 

como o outro social intencional, fornecendo os suportes e os signos visuais necessários para 

mediar a relação do aluno com o mundo físico e social que o cercava.

No cenário das pesquisas nacionais sobre a prática da mediação escolar, os estudos 

desenvolvidos por Camargo et al. (2020) ressaltam que o mediador pedagógico desempenha um 

papel determinante na facilitação das interações sociais e no desenvolvimento da comunicação 

do aluno autista na escola regular. No entanto, os autores sinalizam com preocupação que a falta 

de definição clara sobre as atribuições do mediador e a precariedade de sua formação inicial 

transformam esse profissional em um elemento de isolamento do aluno, criando o fenômeno da 

exclusão   na   inclusão,   onde   o   estudante   com   deficiência   física   e   pedagogicamente 

compartimenta-se em uma bolha protetiva com o estagiário, permanecendo alheio às dinâmicas 

coletivas da turma. A vivência relatada neste trabalho ilustra com exatidão esse risco apontado 

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pela literatura, uma vez que a professora regente da turma frequentemente se eximia de planejar 

para Aluno X, delegando à estagiária a total responsabilidade pelo destino escolar daquela 

criança, o que evidencia a urgência de se pensar no trabalho colaborativo e no ensino entre a 

regência e o apoio especializado.

Outro referencial teórico indispensável para a compreensão das oscilações emocionais 

de Aluno X e do processo de aprendizagem encontra-se nas formulações de Henri Wallon 

acerca   da   psicogênese   da   motricidade   e   da   dimensão   da   afetividade   no   desenvolvimento 

infantil.   Wallon   assevera   que   a   afetividade   e   a   inteligência   são   aspectos   integrados   e 

indissociáveis, sendo que as emoções possuem uma base eminentemente orgânica e funcionam 

como a primeira forma de comunicação da criança com o meio social antes mesmo da aquisição 

da linguagem verbal. Quando Aluno X manifestava dos momentos de desregulação ou buscava 

o carinho da mediadora, ele estava utilizando o seu tônus muscular e a sua expressividade 

emocional como ferramentas de ação sobre o outro para comunicar seus estados de conforto ou 

desconforto. 

De acordo com as análises de Nunes e Schmidt (2019), o sucesso das intervenções 

pedagógicas com estudantes autistas não verbais depende fundamentalmente da capacidade do 

professor   em   ler   essas   manifestações   afetivas   e   corporais   não   como   indisciplina   ou 

agressividade gratuita, mas como pistas valiosas para a reorganização do ambiente físico e para 

o reajuste das demandas didáticas propostas.

8 OS REFLEXOS DA VIVÊNCIA NA CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE DOCENTE

A imersão profunda no cotidiano escolar por meio do estágio supervisionado produziu 

modificações permanentes na estrutura cognitiva e na subjetividade profissional da graduanda 

em Pedagogia. O primeiro grande impacto dessa experiência residiu no abandono definitivo de 

uma visão ingênua, romântica e idealizada acerca do exercício da docência e dos processos de 

inclusão escolar. A confrontação com a dureza do chão da escola e com a materialidade de um 

quadro de autismo severo desfez a ilusão de que o amor ou a boa vontade seriam suficientes para 

garantir o aprendizado do aluno com deficiência, evidenciando que a inclusão exige, antes de 

tudo,   rigor   científico,   fundamentação   técnica,   resiliência   psicológica   e   capacidade   de 

investigação contínua sobre a própria prática.

A convivência diária com as crises de agitação e desregulação do aluno  X impôs à 

estagiária a necessidade de desenvolver competências emocionais relacionadas ao autocontrole 

e à inteligência emocional na ação. Manter a serenidade diante de um ataque físico, modular o 

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tom de voz em um ambiente caótico e aplicar técnicas de manejo comportamental baseadas no 

esvaziamento de estímulos foram saberes práticos adquiridos na contingência do sofrimento do 

outro, competências essas que as teorias abstratas ministradas nas salas de aula da universidade 

jamais   conseguiram   prever   ou   simular.   A   identidade   docente,   portanto,   foi   forjada   no 

tensionamento   entre   a   fragilidade   dos   conceitos   acadêmicos   recebidos   e   a   robustez   das 

demandas concretas apresentadas pelo aluno real.

Por fim, a experiência de estágio reposicionou o interesse da futura pedagoga em relação 

à sua própria trajetória de formação continuada e atuação profissional no mercado de trabalho. 

A constatação das profundas lacunas existentes na rede pública de ensino e a verificação do 

sofrimento pedagógico imposto a milhares de crianças com deficiência intelectual e autismo 

impulsionaram   a   estudante   a   buscar   especializações   na   área   da   Educação   Especial   e   do 

Atendimento Educacional Especializado, com foco nas Práticas Baseadas em Evidências para o 

autismo. 

O estágio supervisionado deixou de ser encarado como um mero rito burocrático de 

passagem obrigatória para a obtenção do diploma de licenciatura, convertendo-se no marco 

fundador   de   uma   carreira   docente   comprometida   com   a   defesa   intransigente   dos   direitos 

humanos, com a cientifização da prática educacional e com a busca por uma escola pública que 

acolha a pluralidade cognitiva humana sem segregar e sem silenciar.

 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O percurso reflexivo e prático detalhado ao longo deste relato de experiência coloca em 

evidência que a inclusão escolar de alunos com Transtorno do Espectro Autista em nível severo 

de   suporte   e   sem   linguagem   verbal   funcional   constitui   um   processo   intensamente   vivo, 

permeado por contradições políticas, limites estruturais e potências pedagógicas inexploradas. 

A alternância comportamental exibida por Aluno X, transitando de forma abrupta entre a 

agressividade defensiva e a busca por manifestações de afeto e carinho genuínos, funcionou 

como um indicador sensível de sua relação de sofrimento ou conforto com o ambiente da escola. 

Ficou demonstrado que o comportamento disruptivo do aluno não verbal não deve ser encarado 

sob uma ótica meramente punitiva, moralizante ou como portador de patologia,   mas sim 

decodificado   como   uma   forma   legítima   de   comunicação   rudimentar   que   denuncia   a 

inadequação dos estímulos sensoriais e das práticas didáticas oferecidas pela instituição.

A utilização de estagiários de Pedagogia para atuar na mediação escolar exclusiva desses 

estudantes   revela   uma   faceta   contraditória   das   políticas   educacionais   brasileiras 

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contemporâneas. Se, por um lado, essa prática preenche de forma provisória e precarizada uma 

grave ausência do Estado na oferta de profissionais concursados e especializados em educação 

especial, por outro lado proporciona aos futuros professores uma formação imersiva de choque, 

que acelera a compreensão das reais demandas da escola pública e antecipa o desenvolvimento 

de saberes práticos complexos. Para que esse cenário não resulte no esgotamento psíquico do 

estagiário e no abandono escolar do aluno de inclusão, faz-se urgente que as universidades 

brasileiras assumam a responsabilidade de reformular os currículos da Pedagogia, superando a 

barreira histórica que separa a formação geral da formação em educação especial.

Por fim, é importante enfatizar  que o sucesso da mediação pedagógica com alunos que 

necessitam de níveis elevados de suporte não repousa em receitas metodológicas milagrosas ou 

em abordagens puramente assistencialistas, mas sim na articulação precisa entre a sensibilidade 

afetiva do educador e o domínio técnico de ferramentas de acessibilidade curricular e de 

comunicação alternativa. Aluno X ensinou que a pedagogia do afeto, quando amparada pelo 

rigor da estruturação ambiental e pela intencionalidade da mediação científica, possui a força 

necessária para romper o isolamento comunicativo mais severo e garantir que o direito à 

educação não seja apenas uma promessa escrita nas folhas da lei, mas uma realidade concreta e 

transformadora vivenciada cotidianamente por cada sujeito singular no chão de nossas escolas.

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