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ADESÃO AO TRATAMENTO MEDICAMENTOSO EM 

DOENÇAS CRÔNICAS NÃO TRANSMISSÍVEIS: UMA 

REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA

MEDICATION ADHERENCE IN CHRONIC NON-

COMMUNICABLE DISEASES: AN INTEGRATIVE LITERATURE 

RESUMO

Introdução: As doenças crônicas não transmissíveis representam uma das principais 
causas de morbimortalidade em todo o mundo, ocasionando impactos significativos na 
qualidade   de   vida   da   população   e   nos   sistemas   de   saúde.   A   adesão   ao   tratamento 
medicamentoso   constitui   um   dos   principais   determinantes   para   o   controle   dessas 
condições e para a prevenção de complicações associadas. Método: Realizou-se uma 
revisão integrativa da literatura por meio de buscas nas bases de dados SciELO, LILACS, 
Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e PubMed, considerando estudos publicados entre os 
anos de 2015 e 2025, nos idiomas português, inglês e espanhol. Resultados: Os estudos 
analisados   demonstraram   que   fatores   socioeconômicos,   características   do   regime 
terapêutico, aspectos comportamentais e limitações no acesso aos serviços de saúde 
influenciam diretamente a continuidade do tratamento. Além disso, verificou-se que 
intervenções   educativas,   acompanhamento   multiprofissional   e   serviços   clínicos 
farmacêuticos   contribuem   para   a   melhoria   da   adesão   e   dos   resultados   terapêuticos. 
Conclusão: A promoção da adesão medicamentosa deve ser considerada uma prioridade 
na assistência aos pacientes com doenças crônicas, favorecendo o controle clínico, a 
redução de complicações e a melhoria da qualidade de vida.

PALAVRAS-CHAVE:

 

Adesão   terapêutica;   Doenças   crônicas;   Assistência 

farmacêutica; Uso racional de medicamentos; Atenção à saúde.

ABSTRACT

Introduction:   Non-communicable   chronic   diseases   are   among   the   leading   causes   of 
morbidity and mortality worldwide, generating significant impacts on quality of life and 
healthcare systems. Medication adherence is a key determinant for disease control and 
prevention of complications. Method: An integrative literature review was conducted 
using studies indexed in SciELO, LILACS, Virtual Health Library (VHL) and PubMed, 
published between 2015 and 2025 in Portuguese, English and Spanish. Results: The 
analyzed studies showed that socioeconomic factors, therapeutic regimen characteristics, 
behavioral   aspects   and   limitations   in   healthcare   access   directly   influence   treatment 
continuity.   Furthermore,   educational   interventions,   multidisciplinary   follow-up   and 
pharmaceutical   clinical   services   were   associated   with   improved   adherence   and 
therapeutic   outcomes.   Conclusion:   Promoting   medication   adherence   should   be 
considered a priority in the care of patients with chronic diseases, contributing to better 
clinical control, fewer complications and improved quality of life.

KEYWORDS:

 

Therapeutic adherence; Chronic diseases; Pharmaceutical care; Rational 

use of medicines; Health care.

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Trabalho submetido em janeiro de 2026. Aprovado em junho de 2026

Trabalho submetido em janeiro de 2026. A

ho de 2026

1 Farmacêutico - Centro universitário Celso Lisboa

Carlos Augusto Berduega¹

v. 1, 2026

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INTRODUÇÃO

As doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) representam um dos principais 

desafios para os sistemas de saúde contemporâneos devido à sua elevada prevalência, ao 

caráter   permanente   de   acompanhamento   e   aos   impactos   gerados   sobre   a 

morbimortalidade da população. Esse grupo engloba enfermidades como hipertensão 

arterial   sistêmica,   diabetes   mellitus,   doenças   cardiovasculares,   câncer   e   doenças 

respiratórias crônicas, responsáveis por parcela significativa das mortes prematuras e da 

redução da qualidade de vida em âmbito mundial (Malta et al., 2019).

Nas   últimas   décadas,   o   crescimento   das   DCNTs   tem   sido   associado   ao 

envelhecimento   populacional,   à   urbanização   acelerada,   às   mudanças   nos   padrões 

alimentares, à redução da prática de atividades físicas e à exposição a fatores de risco 

modificáveis. Segundo a Organização Mundial da Saúde (WHO, 2023), essas doenças são 

responsáveis   por   aproximadamente   74%   dos   óbitos   registrados   globalmente, 

evidenciando sua relevância para a saúde pública e a necessidade de estratégias efetivas 

para prevenção, controle e monitoramento clínico.

Entre   as   medidas   utilizadas   para   o   manejo   dessas   condições,   destaca-se   a 

farmacoterapia, considerada essencial para a redução de complicações, controle dos 

sintomas e melhoria dos desfechos clínicos. Entretanto, a efetividade dos tratamentos 

depende diretamente da forma como os pacientes seguem as recomendações terapêuticas 

recebidas. Nesse contexto, a adesão ao tratamento medicamentoso constitui um dos 

pilares para o sucesso da assistência em saúde, uma vez que o uso inadequado dos 

medicamentos pode comprometer significativamente os resultados esperados (Mendes et 

al., 2022).

A adesão terapêutica compreende o comportamento do indivíduo em relação ao 

uso   correto   dos   medicamentos   prescritos,   incluindo   dose,   frequência,   duração   do 

tratamento   e   cumprimento   das   orientações   fornecidas   pelos   profissionais   de   saúde. 

Estudos recentes demonstram que a interrupção do tratamento, a utilização irregular dos 

medicamentos e o abandono terapêutico permanecem frequentes entre pacientes com 

doenças crônicas, contribuindo para o agravamento clínico, aumento das hospitalizações 

e elevação dos custos assistenciais (Silva; Barbosa; Costa, 2021).

A literatura evidencia que a adesão medicamentosa é influenciada por múltiplos 

fatores. Aspectos relacionados às condições socioeconômicas, ao nível de escolaridade, à 

compreensão sobre a doença, à complexidade dos esquemas terapêuticos e ao acesso aos 

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serviços de saúde podem interferir diretamente na continuidade do tratamento. Além 

disso,   fatores   emocionais,   culturais   e   comportamentais   também   exercem   influência 

significativa sobre as decisões dos pacientes em relação ao uso dos medicamentos (Malta 

et al., 2022).

Diante   dessa   realidade,   diferentes   estratégias   têm   sido   desenvolvidas   com   o 

objetivo   de   promover   maior   participação   dos   pacientes   no   processo   terapêutico. 

Intervenções educativas, acompanhamento multiprofissional, utilização de tecnologias 

em saúde e ampliação dos serviços clínicos farmacêuticos têm apresentado resultados 

positivos na melhoria dos índices de adesão e no fortalecimento do autocuidado (Oliveira 

et al., 2023).

Nesse cenário, o farmacêutico assume papel estratégico na promoção do uso 

racional de medicamentos e na identificação de problemas relacionados à farmacoterapia. 

Por meio do acompanhamento farmacoterapêutico, da educação em saúde e da orientação 

individualizada, esse profissional contribui para o aumento da segurança do paciente e 

para a obtenção de melhores resultados clínicos (CFF, 2024).

Considerando a relevância da adesão terapêutica para o controle das doenças 

crônicas   e   os   desafios   ainda   existentes   para   sua   efetivação,   torna-se   necessário 

compreender os fatores que influenciam esse processo. Assim, o presente estudo tem 

como objetivo analisar as evidências científicas publicadas entre 2015 e 2025 acerca da 

adesão   ao   tratamento   medicamentoso   em   pacientes   com   doenças   crônicas   não 

transmissíveis, identificando os principais fatores associados à não adesão e as estratégias 

descritas na literatura para sua promoção.

METODOLOGIA

O presente estudo caracteriza-se como uma revisão integrativa da literatura, de 

natureza descritiva e abordagem qualitativa, desenvolvida com o objetivo de reunir, 

analisar   e   sintetizar   as   evidências   científicas   relacionadas   à   adesão   ao   tratamento 

medicamentoso   em   pacientes   com   doenças   crônicas   não   transmissíveis.   A   revisão 

integrativa   permite   a   incorporação   de   diferentes   delineamentos   metodológicos, 

contribuindo para uma compreensão mais ampla do fenômeno investigado. (Souza, M. T.; 

Silva, M. D.; Carvalho, R. 2010)

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2.1 ESTRATÉGIA DE BUSCA

A   busca   bibliográfica   foi   realizada   nas   bases   de   dados   Scientific   Electronic 

Library Online (SciELO), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde 

(LILACS),   Biblioteca   Virtual   em   Saúde   (BVS)   e   PubMed.   Foram   utilizados   os 

descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e Medical Subject Headings (MeSH): “Adesão 

à   Medicação”,   “Doenças   Crônicas”,   “Assistência   Farmacêutica”,   “Uso   Racional   de 

Medicamentos” e “Atenção Farmacêutica”, bem como seus correspondentes em inglês. 

Os descritores foram combinados por meio dos operadores booleanos AND e OR, de 

forma a ampliar a sensibilidade e a especificidade da busca. A pesquisa contemplou 

estudos publicados entre janeiro de 2015 e dezembro de 2025.

2.2 CRITÉRIOS DE INCLUSÃO E EXCLUSÃO

Foram incluídos artigos científicos publicados nos idiomas português, inglês e 

espanhol, disponíveis na íntegra e que abordassem a adesão ao tratamento medicamentoso 

em indivíduos com doenças crônicas não transmissíveis. Também foram considerados 

estudos   que   apresentassem   dados   relacionados   aos   fatores   associados   à   adesão 

terapêutica,   às   intervenções   em   saúde   e   ao   papel   dos   profissionais   envolvidos   no 

acompanhamento   desses   pacientes.   Foram   excluídos   artigos   duplicados,   revisões   de 

literatura, editoriais, cartas ao editor, dissertações, teses, resumos de eventos científicos e 

publicações que não apresentassem relação direta com o objetivo da pesquisa.

2.3 SELEÇÃO E ANÁLISE DOS ESTUDOS

Inicialmente, os títulos e resumos dos estudos identificados foram analisados para 

verificação de pertinência ao tema. Em seguida, os artigos potencialmente elegíveis foram 

submetidos   à   leitura   completa,   aplicando-se   os   critérios   de   inclusão   e   exclusão 

previamente   estabelecidos.   Após   a   seleção   final,   os   estudos   foram   organizados   e 

categorizados de acordo com os principais temas abordados, tais como fatores associados 

à   não   adesão,   consequências   clínicas   da   interrupção   do   tratamento,   intervenções 

educativas e atuação farmacêutica. A análise dos dados foi realizada de forma descritiva, 

buscando   identificar   convergências,   divergências   e   lacunas   existentes   na   literatura 

científica sobre o tema.

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3

 RESULTADOS E DISCUSSÃO

A   busca   realizada   nas   bases   SciELO,   LILACS,   BVS   e   PubMed   permitiu 

identificar   estudos   que   abordaram   diferentes   aspectos   relacionados   à   adesão   ao 

tratamento medicamentoso em pacientes com doenças crônicas não transmissíveis. Após 

a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, foram selecionadas publicações que 

discutiam fatores associados à adesão terapêutica, impactos da não adesão e estratégias 

utilizadas para promover a continuidade do tratamento (Sabaté, 2003; World Health 

Organization, 2023).

Os estudos analisados demonstraram que a adesão medicamentosa constitui um 

fenômeno   complexo   e   multifatorial,   influenciado   por   fatores   individuais,   sociais, 

econômicos, culturais e organizacionais (Sabaté, 2003; Brown & Bussell, 2011). Embora 

os   avanços   científicos   tenham   ampliado   a   disponibilidade   de   terapias   eficazes   para 

diversas doenças crônicas, a adesão inadequada ainda representa uma importante barreira 

para a obtenção dos resultados clínicos esperados (Jimmy & Jose, 2011).

3.1 PANORAMA DAS DOENÇAS CRÔNICAS NÃO TRANSMISSÍVEIS

As doenças crônicas não transmissíveis representam atualmente a principal causa 

de morte no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde, essas enfermidades são 

responsáveis por aproximadamente 74% dos óbitos globais, destacando-se as doenças 

cardiovasculares, o câncer, o diabetes mellitus e as doenças respiratórias crônicas (WHO, 

2023).

No   Brasil,   as   DCNTs   apresentam   elevada   prevalência   e   constituem   um   dos 

maiores desafios para o Sistema Único de Saúde (SUS). Malta et al. (2019) destacam que 

o   crescimento   dessas   doenças   está   relacionado   ao   envelhecimento   populacional,   ao 

aumento da expectativa de vida e à exposição contínua a fatores de risco modificáveis, 

como alimentação inadequada, sedentarismo, tabagismo e consumo excessivo de bebidas 

alcoólicas.

Além  dos impactos  sobre a  saúde da  população,  as doenças crônicas  geram 

importantes   repercussões   econômicas.   Os   custos   associados   ao   tratamento,   às 

hospitalizações e às complicações decorrentes do controle inadequado representam um 

significativo ônus para os sistemas de saúde (Nunes et al., 2021). Nesse contexto, a adesão 

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ao tratamento medicamentoso emerge como um elemento essencial para a redução de 

complicações e para a otimização dos recursos assistenciais (Sabaté, 2003).

O tratamento farmacológico desempenha papel fundamental no manejo dessas 

enfermidades, contribuindo para a redução da progressão da doença e para a prevenção de 

eventos adversos (Brasil, 2022). Entretanto, a simples disponibilidade dos medicamentos 

não garante resultados satisfatórios. O sucesso terapêutico depende diretamente da forma 

como o paciente utiliza os medicamentos prescritos e incorpora as orientações recebidas 

ao seu cotidiano (Jimmy & Jose, 2011).

Dessa forma, compreender os fatores que influenciam a adesão terapêutica torna-

se   indispensável   para   o   desenvolvimento   de   estratégias   capazes   de   melhorar   os 

indicadores de saúde e promover maior efetividade dos tratamentos (Brown & Bussell, 

2011; Sabaté, 2003).

3.2 CONCEITOS E IMPORTÂNCIA DA ADESÃO TERAPÊUTICA

A   adesão   terapêutica   é   definida   como   o   grau   de   concordância   entre   o 

comportamento do paciente e as recomendações estabelecidas pelos profissionais de 

saúde. Esse conceito envolve não apenas o uso correto dos medicamentos, mas também o 

seguimento   das   orientações   relacionadas   à   alimentação,   prática   de   atividade   física, 

monitoramento clínico e comparecimento às consultas de acompanhamento (Sabaté, 

2003).

Historicamente, o termo 

compliance

 era utilizado para descrever o cumprimento 

das prescrições médicas. Entretanto, essa abordagem pressupunha uma postura passiva do 

paciente em relação ao tratamento. Com a evolução dos modelos de atenção à saúde, 

passou-se a utilizar o termo “adesão”, que enfatiza a participação ativa do indivíduo nas 

decisões relacionadas ao seu cuidado (Leite & Vasconcellos, 2003).

Os estudos incluídos nesta revisão demonstraram que a adesão medicamentosa 

influencia diretamente a efetividade terapêutica. Pacientes que seguem adequadamente os 

esquemas   farmacológicos   apresentam   melhores   índices   de   controle   clínico,   menor 

ocorrência de complicações e redução das taxas de hospitalização quando comparados 

àqueles que interrompem ou utilizam incorretamente os medicamentos prescritos (Brown 

& Bussell, 2011; Osterberg & Blaschke, 2005).

No caso da hipertensão arterial sistêmica, por exemplo, a adesão ao tratamento 

está associada à redução dos níveis pressóricos e à diminuição do risco de eventos 

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cardiovasculares (Sociedade Brasileira de Cardiologia, 2020). Em pacientes com diabetes 

mellitus, o uso correto da farmacoterapia contribui para o controle glicêmico e para a 

prevenção de complicações microvasculares e macrovasculares (Sociedade Brasileira de 

Diabetes, 2024). Resultados semelhantes são observados em indivíduos com doenças 

respiratórias crônicas e insuficiência cardíaca (WHO, 2023).

Por   outro   lado,   a   baixa   adesão   terapêutica   permanece   como   um   problema 

recorrente   em   diversos   países.   Estudos   apontam   que   uma   parcela   significativa   dos 

pacientes não utiliza os medicamentos conforme a prescrição, seja por esquecimento, 

dificuldades financeiras, efeitos adversos ou falta de compreensão sobre a importância do 

tratamento (Jimmy & Jose, 2011; Sabaté, 2003). Essa realidade compromete os benefícios 

da farmacoterapia e aumenta a probabilidade de agravamento das condições clínicas 

(Osterberg & Blaschke, 2005).

A   literatura   também   evidencia   que   a   adesão   não   deve   ser   analisada 

exclusivamente como responsabilidade do paciente. Aspectos relacionados à organização 

dos serviços de saúde, à qualidade da comunicação profissional-paciente e ao acesso aos 

medicamentos exercem influência significativa sobre a continuidade terapêutica (Leite & 

Vasconcellos, 2003; Brown & Bussell, 2011). Dessa forma, a promoção da adesão requer 

uma abordagem integrada, envolvendo diferentes profissionais e níveis de atenção à 

saúde (Sabaté, 2003; Brasil, 2022).

3.3 FATORES ASSOCIADOS À NÃO ADESÃO AO TRATAMENTO

A adesão ao tratamento medicamentoso em pacientes com doenças crônicas não 

transmissíveis   é   influenciada   por   diversos   fatores   inter-relacionados   que   envolvem 

aspectos individuais, socioeconômicos, culturais, clínicos e organizacionais. A literatura 

demonstra que a não adesão não pode ser atribuída exclusivamente ao paciente, uma vez 

que   resulta   da   interação   entre   características   pessoais,   complexidade   terapêutica   e 

condições estruturais dos serviços de saúde (Sabaté, 2003).

Segundo a Organização Mundial da Saúde, os fatores relacionados à adesão 

terapêutica   podem   ser   agrupados   em   cinco   dimensões   principais:   fatores 

socioeconômicos,   fatores   relacionados   ao   sistema   de   saúde,   fatores   relacionados   à 

condição clínica, fatores relacionados ao tratamento e fatores relacionados ao próprio 

paciente (Sabaté, 2003). Essa abordagem evidencia a natureza multifatorial da adesão e a 

necessidade de intervenções abrangentes para seu fortalecimento.

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3.3.1

 Aspectos socioeconômicos

Os fatores socioeconômicos figuram entre os principais determinantes da adesão 

terapêutica. Baixa renda, desemprego, dificuldades financeiras e limitações no acesso aos 

serviços de saúde podem comprometer a continuidade do tratamento, especialmente em 

pacientes   que   necessitam   de   acompanhamento   prolongado   e   utilização   contínua   de 

medicamentos.

Estudos   apontam   que   indivíduos   em   situação   de   vulnerabilidade   social 

apresentam maiores dificuldades para adquirir medicamentos, deslocar-se até unidades de 

saúde e realizar consultas periódicas. Além disso, a baixa escolaridade pode interferir na 

compreensão   das   orientações   recebidas,   dificultando   a   correta   utilização   da 

farmacoterapia e reduzindo a participação ativa do paciente no processo terapêutico 

(Malta et al., 2019).

Outro aspecto relevante refere-se às desigualdades regionais observadas no acesso 

aos   serviços   de   saúde.   Em   determinadas   localidades,   a   disponibilidade   limitada   de 

profissionais e recursos assistenciais pode dificultar o acompanhamento adequado das 

doenças crônicas, favorecendo interrupções no tratamento e aumentando os riscos de 

complicações clínicas.

3.3.2

 Características do tratamento

A   complexidade   dos   esquemas   terapêuticos   constitui   um   importante   fator 

associado à não adesão. Pacientes submetidos a múltiplas prescrições frequentemente 

apresentam   dificuldades   para   seguir   corretamente   horários,   doses   e   orientações 

específicas relacionadas ao uso dos medicamentos.

A polifarmácia, definida como a utilização simultânea de diversos medicamentos, 

é especialmente comum entre indivíduos idosos e portadores de múltiplas comorbidades. 

Nesses   casos,   a   maior   quantidade   de   medicamentos   prescritos   pode   aumentar   a 

probabilidade de esquecimentos, erros de administração e abandono terapêutico (Mendes 

et al., 2022).

Além disso, a ocorrência de efeitos adversos representa uma das principais causas 

de interrupção do tratamento. Sintomas desagradáveis decorrentes da farmacoterapia 

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podem levar o paciente a reduzir doses, alterar a frequência de utilização ou suspender 

completamente   o   uso   dos   medicamentos   sem   orientação   profissional.   Essa   situação 

compromete a efetividade terapêutica e favorece a progressão da doença.

A duração prolongada dos tratamentos também constitui um desafio para a adesão. 

Como   muitas   doenças   crônicas   apresentam   evolução   lenta   e   frequentemente 

assintomática,   alguns   pacientes   tendem   a   abandonar   a   farmacoterapia   ao   perceber 

melhora clínica ou ausência de sintomas, ignorando a necessidade de continuidade do 

tratamento para manutenção do controle da enfermidade.

3.3.3

 Aspectos comportamentais e psicológicos

Os fatores comportamentais exercem influência significativa sobre a adesão ao 

tratamento medicamentoso. O conhecimento limitado sobre a doença e suas possíveis 

complicações   pode   reduzir   a   percepção   da   importância   do   tratamento   e   favorecer 

comportamentos de risco relacionados ao uso dos medicamentos.

O esquecimento das doses prescritas é frequentemente apontado como uma das 

principais causas de não adesão. Esse problema é particularmente observado em pacientes 

idosos, indivíduos com múltiplas atividades diárias e pessoas submetidas a esquemas 

terapêuticos complexos. A ausência de rotinas organizadas pode dificultar o seguimento 

adequado das prescrições médicas.

Aspectos   emocionais   também   desempenham   papel   relevante   nesse   contexto. 

Ansiedade, depressão, estresse e outras condições psicológicas podem comprometer a 

motivação do paciente para manter o tratamento ao longo do tempo. Estudos demonstram 

que indivíduos com sintomas depressivos apresentam maior probabilidade de abandono 

terapêutico quando comparados àqueles sem alterações emocionais significativas.

As crenças pessoais relacionadas à doença e aos medicamentos também podem 

influenciar a adesão. Alguns pacientes acreditam que o tratamento pode ser interrompido 

após   a   melhora   dos   sintomas,   enquanto   outros   apresentam   receio   de   dependência 

medicamentosa   ou   preocupações   relacionadas   aos   possíveis   efeitos   adversos.   Tais 

percepções podem interferir diretamente na continuidade terapêutica e nos resultados 

clínicos alcançados.

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3.3.4 

Barreiras relacionadas aos serviços de saúde

Os serviços de saúde desempenham papel fundamental na promoção da adesão 

terapêutica.   Entretanto,   limitações   estruturais   e   organizacionais   podem   dificultar   o 

acompanhamento adequado dos pacientes e comprometer a continuidade do tratamento.

A   dificuldade   de   acesso   às   consultas,   a   demora   para   atendimento   e   a 

indisponibilidade de medicamentos nas unidades de saúde são fatores frequentemente 

associados à interrupção da farmacoterapia. Quando o paciente encontra obstáculos para 

obter os medicamentos prescritos ou para realizar acompanhamento regular, a adesão 

tende a ser prejudicada.

Outro fator relevante refere-se à qualidade da comunicação entre profissionais de 

saúde e pacientes. Informações insuficientes sobre a doença, linguagem excessivamente 

técnica e orientações pouco esclarecedoras podem dificultar a compreensão do tratamento 

e reduzir o envolvimento do indivíduo em seu próprio cuidado.

Nesse contexto, a construção de uma relação de confiança entre profissionais e 

pacientes torna-se essencial para favorecer a adesão terapêutica. A escuta qualificada, o 

acolhimento   e   a   educação   em   saúde   contribuem   para   o   fortalecimento   do   vínculo 

assistencial e para a promoção de melhores resultados clínicos.

3.4 CONSEQUÊNCIAS DA BAIXA ADESÃO MEDICAMENTOSA

A   baixa   adesão   ao   tratamento   medicamentoso   constitui   um   dos   principais 

obstáculos para o controle efetivo das doenças crônicas não transmissíveis. Seus impactos 

ultrapassam a esfera individual, repercutindo sobre os sistemas de saúde, a economia e a 

sociedade como um todo. Diversos estudos apontam que a utilização inadequada dos 

medicamentos está associada ao agravamento clínico das enfermidades, aumento das 

hospitalizações e elevação dos custos assistenciais (WHO, 2023).

Entre as principais consequências clínicas da não adesão destaca-se o controle 

inadequado   da   doença.   Em   pacientes   hipertensos,   por   exemplo,   a   interrupção   ou 

utilização irregular dos medicamentos pode resultar em elevação persistente da pressão 

arterial e aumento do risco de eventos cardiovasculares, como infarto agudo do miocárdio 

e acidente vascular cerebral. Da mesma forma, indivíduos com diabetes mellitus podem 

apresentar descontrole glicêmico, favorecendo o surgimento de complicações renais, 

oftalmológicas, neurológicas e cardiovasculares.

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Além da progressão da doença, a baixa adesão está associada ao aumento da 

morbimortalidade.   Pacientes   que   não   seguem   corretamente   as   recomendações 

terapêuticas   apresentam   maior   probabilidade   de   desenvolver   complicações   graves   e 

necessidade de intervenções médicas mais complexas. Consequentemente, observa-se 

redução   da   qualidade   de   vida,   limitação   funcional   e   maior   comprometimento   das 

atividades cotidianas.

As   repercussões   econômicas   também   merecem   destaque.   Embora   alguns 

pacientes interrompam o tratamento visando reduzir gastos imediatos, a não adesão 

frequentemente resulta em custos muito mais elevados a longo prazo. O aumento das 

consultas de emergência, das internações hospitalares e dos procedimentos especializados 

gera impacto significativo sobre os recursos financeiros dos sistemas de saúde e das 

famílias.

No âmbito social, as consequências da baixa adesão podem incluir afastamento 

das   atividades   laborais,   redução   da   produtividade   e   aumento   da   dependência   de 

cuidadores. Essas situações afetam não apenas o indivíduo acometido, mas também 

familiares e redes de apoio envolvidas no cuidado.

Diante desse cenário, torna-se evidente que a promoção da adesão terapêutica 

deve ser considerada uma prioridade nas políticas públicas e nas práticas assistenciais 

voltadas ao manejo das doenças crônicas. Estratégias que favoreçam a continuidade do 

tratamento   podem   contribuir   para  melhores  desfechos  clínicos,   redução   de   custos   e 

fortalecimento da qualidade da assistência em saúde.

3.5 CONTRIBUIÇÕES DO FARMACÊUTICO PARA A ADESÃO TERAPÊUTICA

O   farmacêutico   desempenha   papel   fundamental   na   promoção   da   adesão   ao 

tratamento   medicamentoso,   especialmente   no   contexto   das   doenças   crônicas   não 

transmissíveis. A ampliação das atribuições clínicas desse profissional permitiu uma 

participação   mais   ativa   no   acompanhamento   dos   pacientes,   contribuindo   para   a 

identificação   de   dificuldades   relacionadas   ao   uso   dos   medicamentos   e   para   a 

implementação de intervenções voltadas à melhoria dos resultados terapêuticos (CFF, 

2016).

A atuação farmacêutica vai além da dispensação de medicamentos, abrangendo 

atividades de educação em saúde, acompanhamento farmacoterapêutico, monitoramento 

de   resultados   clínicos   e   promoção   do   uso   racional   de   medicamentos.   Essas   ações 

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favorecem a construção de uma relação mais próxima entre profissional e paciente, 

fortalecendo o vínculo assistencial e ampliando a compreensão sobre a importância da 

continuidade do tratamento.

Estudos   demonstram   que   a   participação   do   farmacêutico   nas   equipes 

multiprofissionais está associada à melhoria dos índices de adesão terapêutica, ao controle 

mais   efetivo   das   doenças   crônicas   e   à   redução   de   problemas   relacionados   aos 

medicamentos   (Correr;   Otuki,   2013).   Nesse   contexto,   destacam-se   as   seguintes 

contribuições.

3.5.1 Educação em saúde

A educação em saúde constitui uma das principais estratégias utilizadas pelo 

farmacêutico   para   promover   a   adesão   ao   tratamento.   Por   meio   de   orientações 

individualizadas, esse profissional auxilia os pacientes na compreensão da doença, dos 

objetivos terapêuticos e da forma correta de utilização dos medicamentos prescritos.

A   falta   de   conhecimento   sobre   a   enfermidade   e   sobre   os   benefícios   da 

farmacoterapia   representa   uma   importante   barreira   à   adesão.   Muitos   pacientes 

interrompem   o   tratamento   após   a   melhora   dos   sintomas   ou   deixam   de   seguir   as 

orientações por desconhecerem as consequências da não adesão. Nesse sentido, a atuação 

educativa   do   farmacêutico   contribui   para   aumentar   a   autonomia   dos   indivíduos   e 

fortalecer o autocuidado.

Além  das  orientações durante a  dispensação,  atividades educativas coletivas, 

palestras e campanhas de conscientização podem ampliar o acesso às informações em 

saúde e estimular comportamentos mais favoráveis à continuidade terapêutica. Essas 

ações permitem esclarecer dúvidas, corrigir informações equivocadas e promover maior 

participação dos pacientes em seu próprio processo de cuidado.

3.5.2 Acompanhamento farmacoterapêutico

O acompanhamento farmacoterapêutico consiste em um processo sistemático de 

avaliação da farmacoterapia, com o objetivo de identificar, prevenir e resolver problemas 

relacionados   aos   medicamentos.   Essa   prática   possibilita   monitorar   a   efetividade,   a 

segurança e a adesão ao tratamento, contribuindo para a obtenção de melhores resultados 

clínicos.

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Durante   as   consultas   farmacêuticas,   o   profissional   pode   avaliar   dificuldades 

enfrentadas pelo paciente, identificar fatores que interferem na adesão e propor estratégias 

individualizadas para minimizar essas barreiras. Entre as intervenções mais frequentes 

destacam-se a revisão da farmacoterapia, a orientação sobre horários de administração, a 

organização dos medicamentos e o monitoramento de possíveis efeitos adversos.

Diversos estudos evidenciam que pacientes acompanhados por farmacêuticos 

apresentam maior adesão aos tratamentos prescritos e melhores indicadores clínicos, 

especialmente em condições como hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus e 

insuficiência cardíaca. Dessa forma, o acompanhamento farmacoterapêutico configura-se 

como uma importante ferramenta para a qualificação da assistência e para a promoção da 

segurança do paciente.

3.5.3 Promoção do uso racional de medicamentos

A promoção do uso racional de medicamentos também representa uma relevante 

contribuição do farmacêutico para a adesão terapêutica. Segundo a Organização Mundial 

da Saúde, o uso racional ocorre quando os pacientes recebem medicamentos apropriados 

para suas necessidades clínicas, em doses adequadas, durante o período necessário e ao 

menor custo possível para si e para a comunidade (WHO, 2002).

Nesse contexto, o farmacêutico atua na prevenção de problemas relacionados à 

farmacoterapia,   como   duplicidade   terapêutica,   interações   medicamentosas,   erros   de 

administração e uso inadequado de medicamentos. Essas intervenções contribuem para 

aumentar a segurança do tratamento e reduzir fatores que frequentemente levam ao 

abandono terapêutico.

Além   disso,   a   orientação   adequada   sobre   armazenamento,   conservação   e 

administração dos medicamentos favorece o uso correto da farmacoterapia e minimiza 

riscos associados ao tratamento. Dessa forma, o farmacêutico contribui diretamente para a 

efetividade terapêutica e para a melhoria da qualidade de vida dos pacientes com doenças 

crônicas.

3.6 ESTRATÉGIAS PARA FORTALECIMENTO DA ADESÃO

A melhoria da adesão ao tratamento medicamentoso exige a implementação de 

estratégias   abrangentes   e   centradas   nas   necessidades   dos   pacientes.   Considerando   a 

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natureza multifatorial da não adesão, as intervenções mais efetivas são aquelas que 

envolvem diferentes profissionais de saúde e abordam simultaneamente fatores clínicos, 

comportamentais, sociais e organizacionais.

Entre as estratégias descritas na literatura, destacam-se as ações de educação em 

saúde, que possibilitam maior compreensão da doença e dos benefícios do tratamento. 

Pacientes adequadamente informados tendem a apresentar maior comprometimento com 

a farmacoterapia e melhor capacidade para participar das decisões relacionadas ao seu 

cuidado.

Outra estratégia amplamente utilizada consiste na simplificação dos esquemas 

terapêuticos. A redução do número de medicamentos, quando clinicamente possível, bem 

como a diminuição da frequência diária de administração, podem facilitar o seguimento 

das   prescrições   e   reduzir   a   ocorrência   de   esquecimentos.   Estudos   demonstram   que 

esquemas mais simples estão associados a maiores taxas de adesão e melhores resultados 

clínicos.

O uso de tecnologias em saúde também tem apresentado resultados promissores. 

Aplicativos   para   dispositivos   móveis,   mensagens   eletrônicas,   alarmes   digitais   e 

plataformas de monitoramento remoto são ferramentas capazes de auxiliar os pacientes na 

organização da rotina terapêutica e no cumprimento dos horários de administração dos 

medicamentos. Essas tecnologias têm sido cada vez mais utilizadas como estratégias 

complementares para o fortalecimento da adesão.

A   participação   da   família   e   das   redes   de   apoio   social   constitui   outro   fator 

relevante.   O   suporte   oferecido   por   familiares   e   cuidadores   pode   contribuir   para   o 

acompanhamento   das   prescrições,   para   o   comparecimento   às   consultas   e   para   a 

manutenção de hábitos saudáveis. Pacientes que contam com apoio social adequado 

tendem   a  apresentar  maior   continuidade   do   tratamento   e   melhor   enfrentamento   das 

limitações impostas pelas doenças crônicas.

O fortalecimento da comunicação entre profissionais de saúde e pacientes também 

é essencial para a promoção da adesão terapêutica. Uma comunicação clara, acessível e 

baseada na escuta ativa favorece a construção de vínculos de confiança e amplia a 

compreensão das orientações fornecidas. Quando os pacientes participam das decisões 

relacionadas   ao   tratamento,   observa-se   maior   comprometimento   com   os   objetivos 

terapêuticos estabelecidos.

Adicionalmente,   a   ampliação   dos   serviços   clínicos   farmacêuticos   tem 

demonstrado   impacto   positivo   sobre   os  índices   de  adesão.   Consultas  farmacêuticas, 

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acompanhamento farmacoterapêutico e monitoramento contínuo dos resultados clínicos 

possibilitam   intervenções   precoces   diante   de   dificuldades   identificadas   ao   longo   do 

tratamento, favorecendo maior segurança e efetividade da farmacoterapia.

Por fim, destaca-se a importância da integração entre os diferentes níveis de 

atenção à saúde. A articulação entre atenção primária, atenção especializada e assistência 

farmacêutica   contribui   para   a   continuidade   do   cuidado,   melhora   o   acesso   aos 

medicamentos e fortalece as ações voltadas ao controle das doenças crônicas. Dessa 

forma, estratégias multiprofissionais e centradas no paciente apresentam maior potencial 

para promover a adesão terapêutica e melhorar os desfechos em saúde.

4

 CONCLUSÃO

As doenças crônicas não transmissíveis representam um dos principais desafios 

para   os   sistemas   de   saúde   contemporâneos,   exigindo   acompanhamento   contínuo   e 

estratégias   eficazes   para   o   controle   clínico   e   a   prevenção   de   complicações.   Nesse 

contexto, a adesão ao tratamento medicamentoso destaca-se como um dos fatores mais 

importantes para a obtenção de resultados terapêuticos satisfatórios e para a melhoria da 

qualidade de vida dos pacientes.

A presente revisão integrativa permitiu identificar que a adesão terapêutica é 

influenciada   por   múltiplos   fatores,   incluindo   aspectos   socioeconômicos, 

comportamentais,   psicológicos,   características   relacionadas   ao   tratamento   e   fatores 

associados   à   organização   dos   serviços   de   saúde.   Observou-se   que   dificuldades 

financeiras, baixa escolaridade, esquemas terapêuticos complexos, ocorrência de efeitos 

adversos e limitações no acesso aos serviços de saúde constituem importantes barreiras à 

continuidade do tratamento.

Os estudos analisados também evidenciaram que a não adesão medicamentosa 

está associada ao agravamento das condições clínicas, aumento das hospitalizações, 

maior ocorrência de complicações e elevação dos custos assistenciais. Tais consequências 

reforçam a necessidade de intervenções direcionadas à promoção do uso adequado dos 

medicamentos e ao fortalecimento do vínculo entre pacientes e profissionais de saúde.

Nesse cenário, destacou-se a contribuição do farmacêutico por meio da educação 

em saúde, do acompanhamento farmacoterapêutico e da promoção do uso racional de 

medicamentos.   A   atuação   clínica   desse   profissional   mostrou-se   relevante   para   a 

identificação  de problemas relacionados  à farmacoterapia,  para o  esclarecimento  de 

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dúvidas e para o desenvolvimento de estratégias capazes de favorecer a continuidade 

terapêutica.

Além   disso,   verificou-se   que   ações   educativas,   simplificação   dos   esquemas 

terapêuticos, utilização de tecnologias em saúde, fortalecimento do apoio familiar e 

integração das equipes multiprofissionais podem contribuir significativamente para a 

melhoria dos índices de adesão. Essas estratégias demonstram que o cuidado centrado no 

paciente e a abordagem interdisciplinar são fundamentais para o manejo efetivo das 

doenças crônicas.

Dessa forma, conclui-se que a promoção da adesão ao tratamento medicamentoso 

deve ser considerada uma prioridade nas políticas públicas e nas práticas assistenciais, 

contribuindo para melhores desfechos clínicos, redução de complicações e fortalecimento 

da qualidade da atenção à saúde. Recomenda-se que futuras pesquisas aprofundem a 

investigação sobre intervenções voltadas à adesão terapêutica em diferentes contextos 

populacionais, visando ampliar as evidências disponíveis e subsidiar a tomada de decisão 

dos profissionais e gestores de saúde.

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