Corrigenda e versão HTML — artigo 47

Publicada em 3 de agosto de 2026. O PDF original permanece preservado como parte do histórico editorial. Esta versão HTML acrescenta os metadados em inglês e apresenta a correção documentada das referências bibliográficas incompletas.

English title

Architectural barriers and nursing care: nurses’ perceptions of cervical cytology screening for women who use wheelchairs

Abstract

Women with physical disabilities face numerous difficulties in accessing health services. Architectural and attitudinal barriers, inadequate accessibility, insufficient training of nursing professionals and social prejudice hinder cervical cytology screening. Women who use wheelchairs also experience physical, sensory and emotional changes that directly affect their self-esteem and quality of life. This study investigates, through the scientific literature, nurses’ perceptions of how the infrastructure and furniture of health facilities affect gynecological examinations for women who use wheelchairs, as well as the psychological and behavioral consequences of this reality. This bibliographic review draws on national scientific articles concerning architectural barriers and difficulties in accessing health services. The findings indicate that inadequate reception and insufficiently trained professionals contribute to the exclusion of these women from health services. Public policies, continuing education for health teams and structural improvements are required to ensure humane, accessible and comprehensive care.

Keywords: Physical disability; Women’s health; Accessibility; Nursing; Cervical cytology screening.

Correções bibliográficas

  1. SANTOS, Mara Lisiane de Moraes dos et al. Barreiras arquitetônicas e de comunicação no acesso à atenção básica em saúde no Brasil: uma análise a partir do primeiro Censo Nacional das Unidades Básicas de Saúde, 2012. Epidemiologia e Serviços de Saúde, v. 29, n. 2, e2018258, 2020. DOI: 10.5123/S1679-49742020000200022.
  2. CLEMENTE, Karina Aparecida Padilha et al. Barreiras ao acesso das pessoas com deficiência aos serviços de saúde: uma revisão de escopo. Revista de Saúde Pública, v. 56, art. 64, 2022. DOI: 10.11606/S1518-8787.2022056003893. Esta fonte substitui a citação incompleta “Clemente et al., 2022” na versão original.
  3. SIQUEIRA, Fernando Carlos Vinholes et al. Barreiras arquitetônicas a idosos e portadores de deficiência física: um estudo epidemiológico da estrutura física das unidades básicas de saúde em sete estados do Brasil. Ciência & Saúde Coletiva, v. 14, n. 1, p. 39–44, 2009. DOI: 10.1590/S1413-81232009000100009.

Na leitura desta versão, a citação “Clemente et al., 2022” deve ser entendida como “Clemente et al., 2022”. As referências incompletas impressas no PDF são substituídas pela lista acima.

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Barreiras arquitetônicas e assistência de enfermagem

 

1

 

Barreiras arquitetônicas e assistência de enfermagem: percepção dos 

enfermeiros sobre a realização do exame citopatológico em mulheres 

cadeirantes 

RESUMO

 

As mulheres com deficiência física enfrentam inúmeras dificuldades no acesso 
aos  serviços  de  saúde.  Barreiras  arquitetônicas  e  atitudinais,  falta  de 
acessibilidade,  insuficiente  capacitação  dos  profissionais  de  enfermagem  e 
preconceitos  sociais  dificultam  a  realização  de  exames  citopatológicos.  Além 
disso,  mulheres  cadeirantes  convivem  com  alterações  físicas,  sensitivas  e 
emocionais que impactam diretamente sua autoestima e qualidade de vida. Este 
estudo  tem  como  objetivo  investigar,  na  literatura  científica,  a  percepção  de 
enfermeiros sobre o impacto da infraestrutura e do mobiliário das unidades de 
saúde na realização do exame ginecológico em mulheres cadeirantes, bem como 
compreender os impactos psicológicos e comportamentais dessa realidade. Trata-
se de uma revisão bibliográfica baseada em artigos científicos nacionais sobre 
barreiras  arquitetônicas  e  dificuldades  de  acesso  aos  serviços  de  saúde.  Os 
resultados apontam que a ausência de acolhimento adequado e de profissionais 
capacitados  contribui  para  a  exclusão  dessas  mulheres  dos  serviços  de  saúde. 
Conclui-se que é necessária a implementação de políticas públicas, capacitação 
contínua  das  equipes  de  saúde  e  melhorias  estruturais  que  garantam  uma 
assistência humanizada, acessível e integral. 

Palavras-chave: 

Deficiência  física.  Saúde  da  mulher.  Acessibilidade. 

Enfermagem. Exame citopatológico. 

 

1 INTRODUÇÃO 

A saúde da mulher constitui um dos pilares fundamentais das políticas públicas 

no  Brasil,  especialmente  no  que  se  refere  à  prevenção  de  doenças  ginecológicas,  à 
promoção da saúde e ao acesso integral aos serviços de saúde. Contudo, mulheres com 
deficiência física, particularmente aquelas que utilizam cadeira de rodas, ainda enfrentam 
inúmeras dificuldades para acessar esses serviços e realizar exames preventivos, como o 
exame citopatológico do colo do útero (Brasil, 2004; Nicolau et al., 2020). 

Esse exame preventivo, popularmente conhecido como Papanicolau, é a principal 

estratégia de rastreamento para a detecção precoce das lesões precursoras do câncer do 
colo  do  útero.  Sua  realização  periódica  possibilita  o  diagnóstico  em  estágios  iniciais, 
aumentando  significativamente  as  chances  de  tratamento  e  cura,  além  de  reduzir  a 
morbimortalidade associada à doença (INCA, 2023). 

Entretanto, a efetiva realização desses exames por mulheres cadeirantes não é tão 

simples (Othero; Ayres, 2012). As barreiras encontradas vão muito além das limitações 
físicas  decorrentes  da  própria  deficiência.  Frequentemente,  as  unidades  de  saúde 
apresentam  inadequações  estruturais  graves,  como  ausência  de  rampas,  banheiros 
inacessíveis, falta de macas ginecológicas adaptadas e equipamentos que comprometam 
a segurança e a autonomia da paciente durante o atendimento. Esse conjunto de falhas 

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Trabalho submetido em janeiro de 2026. Aprovado em junho de 2026

Trabalho submetido em janeiro de 2026. Aprovado em junho de 2026

1 Assistente Social - UNIGAMA, Graduanda em Enfermagem - Universidade Celso Lisboa

2 Graduanda em Enfermagem - Universidade Celso Lisboa

Angelica Caldas¹; Marcia Santos²

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Barreiras arquitetônicas e assistência de enfermagem

 

2

 

dificulta a efetivação dos princípios de universalidade, integralidade e equidade previstos 
no Sistema Único de Saúde (Araujo et al., 2023; França et al., 2010). 

Embora  a  Lei  Brasileira  de  Inclusão  da  Pessoa  com  Deficiência  (Lei  nº 

13.146/2015) assegure às pessoas com deficiência, o direito à atenção integral à saúde, 
em igualdade de oportunidades com as demais pessoas, determinando que os serviços de 
saúde promovam acessibilidade, acolhimento e  atendimento adequado às necessidades 
específicas dessa população (Brasil, 2015). Mesmo com esse direito garantido por lei, 
muitas pessoas ainda encontram dificuldades para ter acesso a um atendimento de saúde 
realmente acessível e acolhedor.  

Inserida nesse contexto, a equipe de enfermagem ocupa papel central, pois está 

diretamente  envolvida  na  realização  de  exames  preventivos  e  no  acolhimento  das 
usuárias.  Conforme  apontam  Araújo  et  al.  (2023),  muitos  enfermeiros  reconhecem  a 
importância da inclusão e da acessibilidade, porém relatam dificuldades relacionadas à 
falta  de  capacitação  específica,  à  ausência  de  protocolos  assistenciais  e  às  limitações 
estruturais  das  unidades  onde  atuam 

  fatores  que  geram  insegurança  profissional  e 

comprometem a qualidade do cuidado prestado (Nicolau et al., 2020). 

Compreender  a  percepção  desses  profissionais  sobre  a  assistência  às  mulheres 

cadeirantes torna-se, portanto, essencial para identificar barreiras, propor estratégias de 
inclusão e fortalecer práticas de cuidado que garantam acesso equitativo, humanizado e 
integral à saúde dessa população (Brasil, 2015; Araujo et al., 2023). 

 

2 JUSTIFICATIVA 

A escolha deste tema nasceu da observação direta, pelas autoras, das dificuldades 

enfrentadas  por  mulheres  com  deficiência  física  durante  o  atendimento  à  saúde 

 

situações  que  evidenciam  o  quanto  ainda  precisamos  avançar  para  garantir  uma 
assistência  verdadeiramente  inclusiva.  Segundo  Araújo  et  al.  (2023),  enfermeiros 
envolvidos na realização do exame citopatológico em mulheres com deficiência física 
relatam  dificuldades  relacionadas  à  acessibilidade,  à  infraestrutura  inadequada  e  à 
insuficiente capacitação profissional, fatores que comprometem diretamente a qualidade 
do cuidado prestado. 

A garantia de um atendimento inclusivo vai além da boa vontade do profissional: 

depende de condições estruturais concretas que permitam o acesso e a permanência da 
mulher cadeirante no serviço de saúde. Salas pequenas e macas ginecológicas comuns 

 

altas e fixas 

 funcionam como barreiras que inviabilizam o atendimento antes mesmo 

de ele começar contrariando frontalmente a Lei Brasileira de Inclusão (Brasil, 2015). Não 
adianta o enfermeiro dispor de técnica adequada se a paciente sequer consegue entrar na 
sala ou realizar a transferência para a maca com segurança (Araujo et al., 2016). A falta 
de  espaço  para  manobrar  a  cadeira  de  rodas  e  a  ausência  de  equipamentos  adaptados 
interrompem o cuidado na raiz (Pagliuca et al., 2007) 

 e a paciente deixa de ser atendida 

não por falta de competência do profissional, mas por uma falha estrutural e logística do 
próprio serviço de saúde. 

Diante desse  cenário, este estudo busca responder  à seguinte questão: qual é  a 

percepção dos enfermeiros sobre o impacto da infraestrutura e do mobiliário das unidades 
de saúde na realização do exame ginecológico em mulheres cadeirantes? 

 
 

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3

 

3 OBJETIVOS 

Este  estudo  tem  como  objetivo  geral  investigar,  na  literatura  científica,  a 

percepção dos enfermeiros sobre o impacto da infraestrutura e do mobiliário das unidades 
de saúde na realização do exame ginecológico em mulheres cadeirantes. 

Como  objetivos  específicos,  pretende-se:  (a)  mapear  as  principais  barreiras 

arquitetônicas  e  de  mobiliário 

  como  macas  fixas  e  espaço  físico  inadequado 

 

relatadas na literatura que limitam a atuação do enfermeiro no atendimento ginecológico 
a mulheres cadeirantes; (b) identificar a percepção dos enfermeiros quanto ao seu preparo 
profissional e à presença de protocolos assistenciais para o atendimento dessa população; 
e (c) discutir o impacto da inadequação estrutural na adesão das mulheres cadeirantes aos 
exames citopatológicos e na continuidade do cuidado, sob a ótica da enfermagem. 

 

4 METODOLOGIA 

Trata-se de um estudo de revisão bibliográfica, de caráter descritivo e qualitativo, 

desenvolvido  a  partir  da  análise  de  artigos  científicos  relacionados  a  mulheres  com 
deficiência  física  e  à  falta  de  infraestrutura  arquitetônica  e  atitudinal  nos  serviços  de 
saúde. 

Foram consultadas as bases de dados Google Acadêmico, Biblioteca Virtual em 

Saúde  (BVS)  e  Scientific  Electronic  Library  Online  (SciELO),  além  de  documentos 
oficiais  do  Ministério  da  Saúde  e  legislações  voltadas  à  pessoa  com  deficiência.  Os 
critérios  de  inclusão  contemplaram  publicações  em  língua  portuguesa,  disponíveis  na 
íntegra,  publicadas  entre  2004  e  2023,  cujas  temáticas  abordassem  acessibilidade, 
barreiras  arquitetônicas,  saúde  da  mulher  com  deficiência  física  e  percepção  dos 
profissionais  de  enfermagem.  Foram  excluídos  estudos  duplicados,  publicações  em 
língua estrangeira e artigos em desacordo com os objetivos estabelecidos. 

 

5 RESULTADOS E DISCUSSÃO 

A  análise  da  literatura  selecionada  permitiu  identificar  três  eixos  temáticos 

centrais que estruturam os achados deste estudo: as barreiras arquitetônicas e estruturais 
presentes  nas  unidades  de  saúde;  o  preparo  e  a  percepção  dos  enfermeiros  para  o 
atendimento à mulher com deficiência física; e o impacto dessas barreiras na adesão ao 
exame citopatológico e na saúde integral dessa população. 

 

5.1 Barreiras arquitetônicas e estruturais no acesso aos serviços de saúde 

A  acessibilidade  das  Unidades  Básicas  de  Saúde  (UBS)  constitui  um  dos 

principais  entraves  ao  atendimento  ginecológico  de  mulheres  cadeirantes.  Estudos 
apontam  que  grande  parte  dessas  unidades  ainda  não  cumpre  os  requisitos  mínimos 
estabelecidos pela Norma Brasileira ABNT NBR 9050, que regulamenta a acessibilidade 
a edificações, mobiliários, espaços e equipamentos urbanos (ABNT, 2020). A ausência 
ou  inadequação  de  rampas  de  acesso,  corrimãos,  pisos  antiderrapantes  e  sinalizações 
táteis  compromete  a  chegada  e  a  circulação  autônoma  da  mulher  cadeirante  desde  o 
momento em que ela tenta entrar no serviço de saúde (Siqueira et al., 2009). 

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4

 

No  interior  das  unidades,  portas  e  corredores  estreitos  representam  obstáculos 

frequentes, tornando difícil ou impossível a passagem e a manobra da cadeira de rodas 
com segurança. Da mesma forma, banheiros inadequados 

 sem barras de apoio, com 

dimensões  insuficientes  ou  sanitários  em  altura  incompatível 

  inviabilizam  o  uso 

independente do espaço pela usuária (Santos et al., 2020). Essas inadequações físicas não 
apenas dificultam o atendimento como expõem a mulher a riscos de quedas e situações 
constrangedoras, ferindo sua dignidade e autonomia. 

No que se refere especificamente ao atendimento ginecológico, a maca de exame 

representa  a  barreira  mais  emblemática.  As  macas  fixas,  de  altura  elevada  e  sem 
mecanismos  de  regulagem,  tornam  praticamente  impossível  a  transferência  segura  da 
mulher da cadeira de rodas para o equipamento, especialmente na ausência de dispositivos 
auxiliares  como  elevadores  ou  pranchas  de  transferência  (Silva  et  al.,  2022).  Esse 
obstáculo, por si só, é suficiente para inviabilizar a realização do exame citopatológico, 
independentemente da competência técnica do profissional de enfermagem. O Ministério 
da Saúde prevê a necessidade de mobiliário e equipamentos adaptados nas unidades de 
saúde,  contudo  a  implementação  dessas  orientações  ainda  é  incipiente  na  maioria  dos 
municípios brasileiros (Brasil, 2014). 

Assim, as barreiras arquitetônicas e estruturais se configuram como o primeiro e 

mais  concreto  fator  de  exclusão  das  mulheres  cadeirantes  dos  serviços  de  saúde 

 

atuando  antes  mesmo  do  contato  com  o  profissional  e  reforçando  desigualdades  já 
impostas pela deficiência. 

 

5.2 Preparo dos enfermeiros para o atendimento à mulher com deficiência física 

Além das limitações físicas do ambiente, a formação e o preparo dos profissionais 

de enfermagem constituem outro fator crítico para a qualidade da assistência prestada às 
mulheres  cadeirantes.  Araújo  et  al.  (2023)  identificaram  que  enfermeiros  atuantes  na 
Atenção Básica reconhecem a importância de um atendimento inclusivo e humanizado, 
mas relatam sentir-se despreparados para conduzir o exame citopatológico em mulheres 
com  deficiência  física,  sobretudo  diante  das  limitações  estruturais  das  unidades  onde 
atuam. 

Essa  insegurança  está  diretamente  relacionada  à  ausência  de  conteúdos 

específicos  sobre  saúde  da  pessoa  com  deficiência  na  formação  graduada  em 
enfermagem, bem como à escassez de programas de educação permanente que abordem 
as  particularidades  desse  atendimento  (Nicolau  et  al.,  2020).  A  falta  de  protocolos 
assistenciais sistematizados agrava esse cenário: o profissional se vê diante de situações 
para as quais não recebeu orientação  técnica formal, sendo obrigado a  tomar decisões 
com base em iniciativas individuais e improviso 

 o que compromete tanto a segurança 

do cuidado quanto a dignidade da paciente. 

A Política Nacional de Educação Permanente em Saúde (Brasil, 2010) estabelece 

que a qualificação dos trabalhadores do SUS deve ser contínua, contextualizada e voltada 
às  demandas  reais  da  população  atendida.  No  entanto,  a  inclusão  da  temática  da 
deficiência física nos processos de educação permanente das equipes de saúde ainda é 
fragmentada  e  insuficiente.  Esse  vazio  formativo  impacta  diretamente  a  segurança  do 
profissional,  a  qualidade  do  acolhimento  e,  em  última  instância,  a  decisão  da  mulher 
cadeirante de retornar ou não ao serviço de saúde. 

Nesse  sentido,  a  Lei  Brasileira  de  Inclusão  (Brasil,  2015)  determina  que  os 

profissionais de saúde recebam formação continuada sobre os direitos das pessoas com 

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deficiência  e  as  formas  de  garantir  atendimento  adequado.  O  cumprimento  dessa 
determinação  legal  é,  portanto,  não  apenas  uma  responsabilidade  ética,  mas  uma 
obrigação jurídica dos gestores de saúde e das instituições formadoras 

 e precisa sair 

do papel. 

 

5.3 Impacto na adesão ao exame citopatológico e na saúde integral da mulher 
cadeirante 

A  soma  das  barreiras  arquitetônicas  com  o  despreparo  profissional  produz 

consequências  concretas  e  mensuráveis  na  saúde  das  mulheres  cadeirantes.  Estudos 
indicam que essa população apresenta taxas significativamente menores de realização do 
exame citopatológico em comparação às mulheres sem deficiência, o que aumenta o risco 
de diagnóstico tardio de lesões precursoras do câncer do colo do útero (Nicolau et al., 
2020; OMS, 2022). 

A  experiência  repetida  de  encontrar  barreiras  físicas,  sentir-se  constrangida  ou 

perceber  o  despreparo  dos  profissionais  contribui  para  que  a  mulher  cadeirante 
desenvolva uma relação de evitamento com os serviços de saúde. Othero e Ayres (2012), 
ao  investigarem  as  necessidades  de  saúde  de  pessoas  com  deficiência  por  meio  de 
histórias de vida, identificaram que sentimentos de invisibilidade, humilhação e falta de 
acolhimento  são  recorrentes  no  relato  dessas  mulheres  ao  buscarem  atendimento 
ginecológico 

 gerando um desestímulo progressivo à adesão aos exames preventivos. 

Esse  afastamento  não  se  restringe  ao  exame  citopatológico,  mas  tende  a  se 

generalizar  para  outros  aspectos  do  cuidado  em  saúde,  ampliando  vulnerabilidades  e 
aprofundando  iniquidades.  Carvalho  (2014)  destaca  que  as  mulheres  com  deficiência 
estão  sujeitas  a  uma  dupla  vulnerabilidade  social 

  decorrente  tanto  da  condição  de 

deficiência  quanto  do  gênero 

  que  se  traduz  em  menor  acesso  a  serviços,  menor 

cobertura de rastreamento e piores desfechos em saúde. 

No plano emocional, a percepção de não ser adequadamente atendida impacta a 

autoestima e a qualidade de vida dessas mulheres, reforçando sentimentos de exclusão 
social e de incompletude no exercício da cidadania. A Organização Mundial da Saúde 
(OMS,  2022)  alerta  que  a  iniquidade  no  acesso  à  saúde  para  pessoas  com  deficiência 
constitui uma violação de direitos humanos, que exige resposta sistêmica e urgente dos 
Estados membros. 

Constata-se, portanto, que as barreiras arquitetônicas e o despreparo profissional 

não  são  apenas  problemas  técnicos  ou  logísticos:  são  fatores  que,  ao  se  somarem, 
produzem exclusão sistemática e comprometem o direito fundamental à saúde de uma 
parcela significativa da população feminina brasileira. 

 

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS 

A realização deste  estudo permitiu evidenciar, por  meio da literatura científica 

nacional, que a percepção dos enfermeiros acerca da assistência ginecológica às mulheres 
cadeirantes  é  marcada  pelo  reconhecimento  de  profundas  limitações  estruturais  e 
logísticas  nas  unidades  de  saúde.  Os  achados  demonstram  que,  embora  haja  o  desejo 
profissional genuíno de ofertar um cuidado humanizado e equitativo, a realidade prática 
é severamente comprometida por barreiras  arquitetônicas, salas pequenas, ausência de 

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equipamentos adaptados 

  como macas reguláveis 

 e pela escassez de  capacitação 

continuada voltada a essa população. 

Os  dados  revisados  evidenciam  uma  lacuna  alarmante  entre  as  garantias 

estabelecidas pela Lei Brasileira de Inclusão e a prática cotidiana na Atenção Básica. A 
infraestrutura  inadequada  atua  como  o  primeiro  fator  de  exclusão:  impede  o 
estabelecimento  do  vínculo,  gera  insegurança  na  equipe  de  enfermagem  e, 
consequentemente,  desestimula  a  adesão  dessas  mulheres  ao  exame  citopatológico  do 
colo do útero. A competência técnica e a empatia do enfermeiro tornam-se insuficientes 
quando o próprio ambiente institucional inviabiliza o acolhimento seguro e autônomo da 
paciente. 

Como  limitação  deste  estudo,  destaca-se  o  número  ainda  restrito  de  pesquisas 

nacionais que abordem especificamente a vivência prática do enfermeiro frente a essas 
barreiras estruturais 

 a maioria da literatura concentra-se na perspectiva exclusiva da 

usuária, deixando uma lacuna importante sobre o olhar do profissional. 

Conclui-se  que  o  fortalecimento  da  assistência  integral  à  saúde  da  mulher 

cadeirante  depende  urgentemente  de  investimentos  públicos  voltados  à  readequação 
física das Unidades Básicas de Saúde e à aquisição de mobiliário ginecológico acessível. 
Paralelamente, faz-se indispensável a criação de protocolos assistenciais específicos e de 
programas contínuos de educação permanente para as equipes de enfermagem. Só assim 
o  direito  à  saúde  deixará  de  ser  apenas  um  preceito  legal  e  se  tornará,  de  fato,  uma 
realidade vivida por cada mulher cadeirante que chega a uma unidade de saúde em busca 
de cuidado. 

 

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rbpc.tech | Edição inaugural

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Revista Brasileira de Produção Científica, v. 1, n. 1, jan-jun. 2026

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Barreiras arquitetônicas e assistência de enfermagem

 

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